Título: CRIANÇAS-SOLDADOS
Autor:
Fonte: O Globo, 20/02/2005, O Mundo, p. 39
Os filhos da guerra
Meninos contam como são aliciados por grupos armados, empunham fuzis, pilham e matam
Arrancados das salas de aula, seqüestrados em campos de refugiados, forçados a abandonar suas casas sob a mira de uma arma ou, simplesmente, voluntários diante da desintegração total de suas famílias, meninos e meninas são hoje parte ativa em cerca de 30 conflitos armados nos mais diversos lugares do mundo. De acordo com a ONG Save the Children, 300 mil menores de 18 anos estão sendo usados como combatentes, mensageiros, cozinheiros ou escravos sexuais.
Novos dados divulgados pela ONG revelam que a República Democrática do Congo é o país com o maior número de crianças-soldados. São 100 mil delas combatendo em grupos armados e também no Exército regular. Na América do Sul, o país com o maior número de menores nos campos de batalha é a Colômbia ¿ quarto lugar na lista mundial ¿ onde 14 mil crianças lutam tanto na guerrilha quanto nos grupos paramilitares.
Segundo a ONG, o problema é muito grave em outros países da África, como Libéria, e também em diferentes nações da América do Sul, entre elas o Brasil, onde crianças são recrutadas pelo tráfico de drogas.
Como soldados adultos, meninos e meninas manejam fuzis, matam e até estupram. A recuperação, dizem especialistas, é complexa.