Título: SECRETARIA INVESTIGA SE MORADORA DO RECREIO MORREU POR CAUSA DE DENGUE
Autor: Marta Paes
Fonte: O Globo, 30/01/2006, Rio, p. 14
Amostra de sangue está sendo analisada pela Fundação Oswaldo Cruz
A Secretaria municipal de Saúde investiga se a morte da dona-de-casa Rosana Rodrigues Câmara da Silva, de 42 anos, na sexta-feira, no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, foi causada por dengue. Se o exame de sangue, que está sendo feito pela Fundação Oswaldo Cruz, confirmar o diagnóstico, será o terceiro óbito provocado pela doença neste verão e o segundo do ano. A primeira vítima, o aposentado Antônio de Jesus Assis, morto no dia 23 de dezembro, morava no mesmo loteamento de Rosana, na Estrada do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes.
A família da dona-de-casa reclama da falta de informações por parte do hospital. Segundo Monique Câmara da Silva, filha de Rosana, nos 17 dias em que a mãe esteve internada, nenhum médico esclareceu o caso.
¿ Um dizia que poderia ser dengue. Outro, que a doença estava totalmente descartada. Também suspeitaram de estupro, queda e espancamento. Nunca explicaram nada para a gente. Só soube que minha mãe estava com escaras, por exemplo, porque li o prontuário ¿ contou ela.
Rosana começou a passar mal no dia 9, com dormência nos pés e inchaço nas pernas. No dia seguinte, sem conseguir andar, ela foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, onde não conseguiu atendimento. No dia 11, foi internada no CTI do Lourenço Jorge. Depois da morte, mais problemas para a família.
¿ Não quiseram liberar o corpo na sexta-feira no hospital porque não havia laudo médico. Na madrugada de sábado, ela foi levada para o IML, mas às 16h ainda não havia laudo da causa da morte ¿ reclamou o viúvo de Rosana, Antônio Henrique da Silva.
A dona-de-casa foi sepultada ontem, no Cemitério de Piabas, no Recreio dos Bandeirantes. Segundo informações da Secretaria municipal de Saúde, os procedimentos médicos adotados no hospital só poderão ser conhecidos a partir de hoje. No laudo liberado ontem pelo IML, consta que a causa da morte ¿depende de exames complementares e informações hospitalares¿.
Este ano já foram notificados 217 casos de dengue no município do Rio de Janeiro, quase quatro vezes mais que os 58 registrados em janeiro de 2005. A primeira pessoa a morrer de dengue este ano (e a segunda neste verão) foi Ivonete Lopes dos Santos, de 45 anos, moradora do Itanhangá.