Título: MINISTRO ADMITE PARCERIA NA BOLÍVIA
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Fonte: O Globo, 31/01/2006, Economia, p. 23

Silas Rondeau afirma que aguarda conversa com colega boliviano

BRASÍLIA. O governo boliviano poderá ter uma participação nas duas refinarias da Petrobras naquele país. O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse ontem que espera para breve o agendamento de uma conversa com o novo ministro de Energia da Bolívia, Andrés Soliz Rada, para tratar dos investimentos brasileiros na nação vizinha. Ele afirmou ainda que o Brasil vê a Bolívia como parceira. Na semana passada, o presidente da estatal boliviana YPFB, Jorge Alvarado, disse que a reestatização das refinarias será um dos primeiros passos do governo de Evo Morales.

¿ A Petrobras pode vir a ser uma sócia do governo boliviano. Podemos até mesmo ampliar nossa presença, não necessariamente com refinarias integralmente sob o comando da Petrobras ¿ disse Rondeau.

O ministro afirmou ainda que a Bolívia terá que colocar sua proposta na mesa para negociar. Mas lembrou que há contratos entre a Petrobras e o governo boliviano. Ele acredita que as relações com a Bolívia na área de petróleo e energia só vão se fortalecer, ¿dentro desse espírito de integração¿ cultivado pelos dois países.

Petrobras analisará oferta de empresa estatal indiana

Segundo Rondeau, não há motivo para temores. Até porque, ressaltou, a Petrobras analisa uma série de nichos de mercado antes de decidir seus investimentos.

¿ No conjunto, é importante que sejam vistos quais segmentos estão dando mais ou menos resultado. Eu não sei se a refinaria seria o elemento de maior resultado. De repente até não é, e isso pode ser negociado ¿ ressaltou, referindo-se à Petrobras e à estatal boliviana.

O ministro disse também que as decisões serão tomadas pela Petrobras:

¿ Não existe qualquer orientação política. Isso é decisão da Petrobras Internacional.

A Petrobras também estuda uma oferta da estatal indiana Oil and Natural Gas Corp, que fechou um acordo com a ExxonMobil para comprar 30% do Projeto Pão de Açúcar, na Bacia de Campos, no qual a estatal brasileira é sócia da americana. O acordo, estimado em US$1,4 bilhão, depende da aprovação da Petrobras e da Shell, também associada ao projeto.