Título: OAB ELOGIA E AJUFE ATACA ADOÇÃO DE QUARENTENA PARA JUÍZES CANDIDATOS
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 04/02/2006, O País, p. 4

Para representante de juízes federais, proposta é preconceituosa

BRASÍLIA. A proposta de criar uma quarentena para juízes que desejarem ser candidatos a cargos políticos foi criticada pelo presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Jorge Maurique, mas elogiada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato. Sugerida pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), a proposta impede que um juiz seja candidato na eleição seguinte ao período em que ele deixar o seu cargo ou se aposentar.

Maurique criticou a quarentena, prevista na reforma do Judiciário que deve ser votada no Congresso, e disse que já existem meios de punição a desvios de conduta.

¿ A falta de ética está na política. Não são os juízes que estragam o Brasil. Essa proposta é extremamente preconceituosa. Por que só o juiz tem que ter quarentena? ¿ questionou.

`O sistema visa a não contaminar as instituições¿

O presidente nacional da OAB elogiou a criação do sistema, embora ressalte que não tenha analisado o projeto.

¿ A tradição da OAB sempre foi a favor de quarentenas. O sistema de quarentena é saudável, pois visa a não contaminar as instituições com uma participação indevida ou propiciando vantagens indevidas em relação a outras pessoas candidatas ao mesmo cargo ¿ afirmou Busato.

A polêmica surgiu após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, anunciar que está deixando o cargo, a tempo de concorrer nas eleições de outubro. Possível candidato à Presidência pelo PMDB, que também pode indicar o vice numa provável tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jobim concedeu em uma semana duas liminares contra a CPI dos Bingos. Uma delas impediu a quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário do presidente do Sebrae e amigo de Lula, Paulo Okamotto.

Anteontem, o presidente da AMB criticou a atuação de Jobim. Disse que suas decisões judiciais estão sob suspeita, não por sua fundamentação técnica, mas pelo fato de ele ser um possível candidato. A AMB é contra a participação de juízes em disputas eleitorais.