Título: DÉFICIT COMERCIAL DOS EUA EM 2005 É O MAIOR DA HISTÓRIA: US$726 BILHÕES
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Fonte: O Globo, 06/02/2006, Economia, p. 15

Orçamento anual de Bush prevê aumento de 5% nos gastos com Defesa

WASHINGTON. Economistas estimam que o déficit comercial dos Estados Unidos voltou a crescer em dezembro, fazendo de 2005 o pior ano da história do comércio internacional americano. O resultado oficial será divulgado esta semana pelo governo, mas especialistas ouvidos pela Bloomberg News estimam que o saldo negativo da balança comercial americana subiu de US$64,2 bilhões em novembro para US$64,7 bilhões, em dezembro. Em outubro, o déficit alcançou US$68,1 bilhões e, no ano passado como um todo, o rombo deve somar US$726,5 bilhões, ultrapassando o recorde histórico de 2004, quando chegou a US$617,6 bilhões.

Com a economia em expansão, a demanda por combustível dos EUA saltou, pesando no resultado da balança. Além disso, apontam os economistas, o apetite dos americanos por bens de consumo de países asiáticos, especialmente da China, também contribuiu para o peso das importações.

A menor taxa de desemprego em mais de dez anos é um dos sinais de que a economia americana continua se fortalecendo, o que torna mais improvável uma melhora nas contas da balança comercial, dizem os analistas.

¿ Estamos prevendo que esses desequilíbrios vão continuar piorando à medida que fatores fundamentais, como um crescimento relativamente forte da economia americana, vão continuar elevando a demanda por produtos importados ¿ analisa Joseph Abate, economista sênior da Lehman Brothers Inc., em Nova York.

O Departamento de Comércio vai divulgar o relatório oficial do desempenho comercial do país na próxima sexta-feira. Enquanto o rombo na balança comercial mantém sua tendência ascendente, o governo americano faz alterações substanciais no orçamento federal, investindo mais em gastos militares e menos em saúde, como informou ontem o jornal ¿Washington Post¿. O projeto para o Orçamento de 2007 (o ano fiscal começa em outubro deste ano) será submetido hoje ao Congresso e prevê gastos de US$2,7 trilhões. Os recursos para o Ministério da Defesa devem crescer 5%.

Seguro-saúde para idosos e deficientes terá redução

Os fundos estatais previstos para 2007 beneficiam as prioridades de governo da administração do presidente George W. Bush dos últimos anos, já que estão destinados a reforçar o aparato militar e a proteção do território frente a uma ameaça terrorista.

Em seu discurso sobre o Estado da União, na terça-feira passada, Bush anunciou que reduzirá, como vem fazendo desde que assumiu a presidência, os gastos não relacionados com segurança nacional e que não sejam obrigatórios. Assim, serão reduzidos ou suprimidos 141 programas, o que resultará numa economia de US$14,5 bilhões.

O sistema de cobertura de saúde para idosos e deficientes físicos (Medicare) será o mais afetado, com um corte de US$36 bilhões nos próximos cinco anos. Em contrapartida, o orçamento destinado à defesa em 2007, cujo ano fiscal começa em outubro de 2006, terá um acréscimo de quase 5%, o equivalente a US$439,3 bilhões. O ¿Washington Post¿ destaca ainda um aumento de 8% nos recursos para armamento. Além disso, Bush recomendará ao Congresso uma elevação de pelo menos 5% para o Ministério da Segurança Interna, ou seja, US$30,8 bilhões este ano. (Da Bloomberg News, com agências internacionais).