Título: GOVERNO RESGATARÁ TÍTULOS NEGOCIADOS NO EXTERIOR
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 10/02/2006, ECONOMIA, p. 23
Objetivo do programa é reduzir a dívida externa. Em um mês, Tesouro já recomprou antecipadamente US$ 2,3 bi
BRASÍLIA. O Tesouro Nacional anunciou ontem mais uma medida para reduzir a dívida externa brasileira e melhorar a imagem do país no mercado internacional. Trata-se de um programa pelo qual o Tesouro vai utilizar as reservas internacionais administradas pelo Banco Central (BC) para fazer o resgate antecipado de títulos com vencimento até 2010 e da dívida reestruturada após o calote da década de 80 - os chamados bradies. - O programa faz parte da estratégia de criar melhores condições para a dívida externa brasileira. Ele permite a redução e o alongamento do estoque, o que trará uma queda do risco-país - disse o secretário do Tesouro, Joaquim Levy. Ele lembrou que a medida foi possível graças ao desempenho favorável das contas externas, à elevada liquidez internacional e ao bom desempenho da economia doméstica. No ano passado, o governo já decidiu resgatar parte da dívida externa que venceria em 2006 e 2007, além de recomprar quase todo o estoque dos títulos conhecidos como C-Bonds (o mais famoso dos bradies). - Essas medidas ajudam a reduzir a percepção de risco, que deve continuar caindo. Isso é observado pelas agências internacionais - disse Levy, lembrando que isso também pode ajudar o Brasil a ficar mais próximo do grau de investimento, nota dada aos países nos quais as agências recomendam investir. O estoque total da dívida prevista no programa - que vai vigorar por um ano - é de US$20 bilhões. Mas o diretor de política monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, disse que o valor da recompra vai depender das condições de mercado. Até o dia 9 de fevereiro, o governo já utilizou US$2,3 bilhões para o resgate antecipado dos títulos. Pelo programa, o Tesouro compra recursos das reservas internacionais - hoje em US$57 bilhões - e solicita ao BC, que atua como agente financeiro, o resgate dos papéis. A instituição, então, faz o resgate e transfere os títulos ao Tesouro para que eles sejam cancelados. Segundo o economista da consultoria Tendências Guilherme Maia, o programa do Tesouro é positivo e não deve reduzir drasticamente as reservas internacionais. Ele lembrou que o Banco Central adotou uma estratégia agressiva de compra de recursos para deixar as reservas num nível elevado, que agora ajuda na redução da dívida externa. Segundo ele, o ritmo de queda das reservas vai depender do mercado, sendo que o BC vai aproveitar condições favoráveis não apenas para fazer os resgates, mas também para recompor as reservas.