Título: CESAR APONTA 'INCONSISTÊNCIA OU FRAUDE' EM SONDAGEM CNT/SENSUS
Autor:
Fonte: O Globo, 16/02/2006, O PAÍS, p. 8
Presidente do instituto defende critérios: 'Não vamos agradar político'
BRASÍLIA. O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), voltou a apontar inconsistências na pesquisa CNT/Sensus de intenção de voto para presidente. Analisando os cruzamentos dos resultados por região, Cesar diz que há aberrações na comparação entre duas das listas de presidenciáveis apresentadas: a lista 3 ( Lula, Serra ,Garotinho, do PMDB, e Heloísa Helena, do PSOL) e a lista 5 (os mesmos da lista 3 , mais Roberto Freire, do PPS, e José Maria Eymael, do PSDC). Ele aponta como "inconsistência ou fraude" o fato de, na região Sudeste, a votação de Serra subir de 29% para 32% , quando aumenta o número de candidatos. No Nordeste e no Sul , o mesmo ocorre com a subida de Serra quando o número de candidatos aumenta, quando, avalia Cesar, deveria cair.
Presidente do instituto diz que entrevistado pode mudar voto
O diretor-presidente do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, salienta que as duas listas somam 100% e que os motivos que levam os entrevistados a mudar o voto, dependendo do cardápio de candidatos, são variados. Sobre o fato de Lula cair e Serra crescer, quando são incluídos dois novos candidatos ( Eymael e Freire), ele diz que o entrevistado, ao se deparar com uma lista com maior número de candidatos, repensa suas opções. - Alguns que votaram em Lula, optam pelos dois novos nomes. Outros podem achar que há mais candidatos da esquerda e optam por Serra - disse Guedes. Ele afirmou que poderia também haver mudança no número de indecisos, mas não foi o que aconteceu com essas listas. - O que aconteceu foi mesmo a migração de votos para Serra e queda de Lula. Ou seja, quando o entrevistado teve acesso a uma lista maior, desistiu de votar em Lula e votou ou em Serra, Freire ou Eymael. Cesar questionou também outro dado que considera incontestável como parâmetro de pesquisa: a participação de cada região no eleitorado nacional. O dado é informado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O prefeito afirma que em 2004 foi informado para o Nordeste 27% dos eleitores. O Ibope trabalhou com este número. O Sensus usou 28,2%. No Sudeste o Ibope usou 45%; Sensus 42,6%. No Sul, o Ibope usou 15% e o Sensus, 14,8%. Para o Norte e Centro-Oeste o Ibope usou 13%, e o Sensus, 14,5%. Cesar insiste: - A Sensus ampliou onde Lula é mais forte e reduziu onde Lula é mais fraco. Simples inconsistência? Guedes explicou que o Sensus utiliza como critério o censo do IBGE de 2000 para escolher o número de pessoas que serão ouvidas em cada região, entre habitantes de 16 anos ou mais anos. Assim, diz Guedes, no Sudeste, enquanto o Ibope usa 45%, o Sensus usa 42,6% e o Datafolha 43% (arredondando sempre para cima, segundo ele). E reage a Cesar: - Nem inconsistência nem fraude. As duas críticas são improcedentes e tomaremos as medidas judiciais cabíveis. Acham que vamos nos meter em urucubaca para agradar político? Imagine! -diz Guedes.