Título: Palocci prevê, em Londres, que Brasil terá um forte crescimento este ano
Autor: Deborah Berlinck e Fernando Duarte
Fonte: O Globo, 09/03/2006, Economia, p. 22
Titular da Fazenda dá sinal de que aposta em taxa de, pelo menos, 4%
LONDRES. O Brasil terá um forte crescimento em 2006, garantiu ontem o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele não quis apostar numa taxa, mas deu uma pista: este ano será parecido com 2004. Naquele ano, o país cresceu 4,9%.
¿ Certamente nós vamos ter um ano de forte crescimento em 2006 e nos próximos. Uma expectativa de crescimento de 4% este ano não está muito otimista, está dentro dos elementos que o Banco Central (BC) leva em conta para estabelecer essas expectativas.
Para ele, o mais importante para o Brasil não é crescer só um ano. É parar de ter crises.
¿ Estou certo de que não será um crescimento restrito a este ano. Não tem nenhum aspecto eleitoral. Mas é resultado de inflação menor e do ajuste do ano passado que permitiu uma inflação menor, que vai trazer um crescimento forte ¿ disse o ministro.
Ministro festeja criação de 100 mil empregos mensais
O governo quer um ciclo longo de crescimento, insistiu Palocci, e para isso será preciso que a inflação permaneça sob controle e as contas externas continuem fortes. Perguntado sobre por que o Brasil não cresceu 5% em 2005, como havia previsto o presidente Lula, Palocci disse que o Brasil nunca teve metas de crescimento.
¿ O governo não trabalha com metas de crescimento. Trabalha com expectativa de crescimento ¿ disse.
Em Londres, Palocci festejou a criação de cem mil empregos formais por mês, segundo ele, ¿uma das maiores taxas do mundo¿. Mas o presidente Lula, na campanha, disse que o Brasil precisaria criar 10 milhões em quatro anos, isto é, 200 mil por mês.
O ministro também disse que não estava preocupado com um certo nervosismo nos mercados ultimamente, com a alta de juros de longo prazo nos EUA. Houve uma retração dos investidores em geral, o que fez aumentar o risco-Brasil (que indica o nível de confiança dos investidores). Para Palocci, isso é normal.
¿ Tem a piora, mas é momentânea, e acomoda logo em seguida. Os indicadores da economia mundial estão muito fortes. Não vejo a curto prazo nada que possa colocar em risco.
Anteontem, o jornal britânico ¿Daily Telegraph¿ publicou um artigo dizendo que os ativos dos mercados emergentes haviam subido a níveis tão extremos que se espera uma correção, isto é, um estouro da ¿bolha emergente¿. Segundo Palocci, o Brasil e as economias emergentes estão com fundamentos sólidos porque fizeram reforços estruturais.
¿ O que está mudando no Brasil é estrutural. Na vida da economia real, as mudanças são estruturais. Não vejo como este momento de melhoria ser bolha.
O ministro descartou a possibilidade de sair do Ministério da Fazenda agora para assumir a coordenação da campanha do presidente Lula. Quando um repórter insistiu e perguntou se ele gostaria de ser coordenador, Palocci disse:
¿ Não. Conversei com o presidente diversas vezes e disse que gostaria de continuar no ministério, nada mais que isso ¿ disse o ministro. ¿ Esta é minha vontade que já transmiti ao presidente. Ele também não me pediu outra coisa. A vontade dele é esta. Já conversei com ele (presidente Lula), e sugeri que não recaia sobre mim este honroso papel. Já mostrei também que está tudo bem assim. A princípio, acho que este assunto não vai evoluir.