Título: CPI ACUSA FIRMA DE FRAUDAR CONTRATO
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 11/03/2006, O País, p. 5
Transportadora teria usado certidão falsa para prestar serviços aos Correios
BRASÍLIA. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) denunciou ontem que a Brazilian Express Transportes Aéreos (Beta) usou uma certidão negativa de débito falsa para se habilitar a prestar serviços de transporte de mercadoria para os Correios. Com base na suposta fraude, a empresa fez contrato de R$250 milhões com a estatal. O contrato foi assinado em 2000 e vigorou até 2005. Sub-relator de Contratos da CPI , Cardozo suspeita que a Beta tenha subornado dirigentes dos Correios para obter o negócio.
Em 2000, a Vasp perdeu o contrato de transporte de mercadorias dos Correios por estar em dívida com a Previdência Social. Como o serviço não podia sofrer interrupção, a estatal dispensou licitação e contratou a Beta. Para se habilitar ao serviço, a empresa apresentou uma certidão indicando que não tinha pendências com a União.
Sereno nega interferência nos fundos de pensão
No documento, consta a assinatura do procurador da Fazenda Nacional Marden Mattos Braga. Ontem, a subcomissão de Contratos recebeu ofício assinado pelo procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional, Pedro Raposo Lopes, em que Braga sustenta que não assinou o documento.
O ex-chefe de gabinete da Casa Civil Marcelo Sereno prestou depoimento à sub-relatoria dos Fundos de Pensão. Sereno foi interrogado pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Por mais de duas horas, o deputado fez perguntas sobre relações de Sereno com administradores de fundos de pensão. O ex-assessor do ex-ministro José Dirceu rebateu todas as insinuações de supostas interferências políticas no comando dos fundos. As respostas não foram contestadas. Depois do depoimento, ACM Neto reconheceu que está tendo dificuldade em avançar nas investigações.
Duda será ouvido em sessão fechada na quarta-feira
O publicitário Duda Mendonça deverá ser interrogado pela CPI na próxima quarta-feira em sessão fechada. A reserva é imposta pelo acordo de sigilo firmado entre a cúpula da CPI as autoridades americanas, que investigam a conta bancária Dusseldorf, aberta por Duda.