Título: ÍNDIOS QUEREM PARLAMENTO, MINISTÉRIO E ROYALTIES
Autor: Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 19/03/2006, O País, p. 17
Funai faz consulta nas aldeias para conhecer propostas das tribos, que incluem até criação de partido próprio
BRASÍLIA. Pela primeira vez na história, a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi às aldeias consultar os cerca de 400 mil indígenas do país e coletar suas reivindicações. Ouviu de tudo. Os índios querem cobrar pedágio nas estradas que passam pelo interior de suas terras; pagamento de royalties por serem os responsáveis pela proteção da ¿maior biodiversidade do mundo¿; criar o Ministério dos Povos Indígenas; e reivindicam o reconhecimento legal do trabalho dos pajés, curandeiros e benzedeiras.
Os índios ianomâmi, macuxi e tucano ¿ do Amazonas e Roraima ¿ querem ingressar na política. Pedem a criação do Partido dos Povos Indígenas do Brasil (PPIdoB). Outras etnias, como os pankararu e os tupi-guarani, do Rio e São Paulo, defendem um exclusivo Parlamento Indígena e sessões eleitorais no interior das aldeias.
Em nove conferências regionais, que reuniram representantes das tribos locais, os índios apresentaram cerca de 1.200 propostas. Algumas soam um tanto extravagante e com poucas chances de saírem do papel. Na Semana do Índio, em meados de abril, a Funai organiza uma Conferência Nacional Indígena, em Brasília, que irá selecionar algumas dessas propostas que constarão num documento final.
Os indígenas querem o direito de escolher não só o presidente da Funai como reivindicam poderes para nomear e demitir servidores que não atendam à causa. Eles ainda reclamam indenizações por suas terras terem sofridos danos irreparáveis. Querem ser treinados para tirar carteira de motorista. Os guajajaras, caiapós e tupinambás brigam para que a Polícia Federal reserve cotas nos seus concursos para eles. Eles ainda reivindicam dinheiro da loteria para seus jogos indígenas.