Título: DOCUMENTOS CITAM 22 MIL MORTOS ATÉ 1978
Autor: Janaina Figueiredo
Fonte: O Globo, 25/03/2006, O Mundo, p. 43

WASHINGTON. Trinta anos após o golpe militar, documentos recém liberados nos EUA mostram que os militares estimavam ter matado cerca de 22 mil pessoas entre 1975 e meados de 1978, quando ainda faltavam cinco anos para a volta da democracia.

O cálculo, apresentado por agentes e militares do Batalhão 601 de Inteligência para o chileno Enrique Arancibia Clavel, aparece em documentos revelados pelo Arquivo de Segurança Nacional da Universidade de Georgetown. Arancibia era o agente da Dina (a polícia secreta chilena) em Buenos Aires encarregado de informar a Santiago o que ocorria no país e de coordenar seqüestros com argentinos, uruguaios, paraguaios e brasileiros na Operação Condor. Em julho de 1978, enviou um telegrama a seus superiores dizendo que seus contatos no Batalhão 601 haviam ¿computado 22 mil mortos e desaparecidos¿ desde 1975 e até ¿o dia presente¿.

O debate sobre o número de mortos e desaparecidos na ditadura desperta controvérsia, com cálculos que vão de oito mil a 30 mil. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que as Forças Armadas tinham listas com nomes e dados dos seqüestrados e mortos. Supõe-se que as listas foram destruídas antes da posse de Raúl Alfonsin, embora alguns digam que elas estão escondidas.

Arancibia, que em 2004 foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do general chileno Carlos Prats, redigiu sua própria lista de ¿baixas¿ em enfrentamentos.

¿É nossa estimativa que vários milhares foram assassinados e duvidamos que algum dia seja possível estabelecer uma cifra mais específica¿, advertiu a superiores, em 1978, o então embaixador americano em Buenos Aires, Robert Hill.

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