Título: CRESCIMENTO DO SETOR DEIXA LONGE A ECONOMIA DO PAÍS
Autor: paulo Thiago de Mello
Fonte: O Globo, 27/03/2006, Economia, p. 17

Desde a abertura, expansão chega a 318%, contra os 26% do PIB

Quase dez anos depois da abertura do mercado de petróleo no Brasil, em 1997, números da Petrobras e do setor mostram que foi acertada a medida ¿ que na época assustou correntes nacionalistas. Desde então, o segmento cresceu 318%, contra os 26% do PIB. E sua participação na economia passou de 2,75% a 9,05%.

O pesquisador Giuseppe Bacoccoli, que trabalhou por 34 anos na Petrobras, lembra que os receios eram muitos:

¿ Um ano antes, a Petrobras descobrira o campo de Roncador. O comentário era que a partir da abertura ela poderia entregá-lo a estrangeiros. E existia o temor de que a companhia fosse privatizada e que teríamos uma onda de demissões.

Nada disso. Hoje, a Petrobras bate recordes ano após ano. O lucro líquido pulou de R$1,5 bilhão, em 97, para R$ 23,7 bilhões em 2005. A produção passou de 900 mil barris/dia a 1,75 milhão em fevereiro de 2006.

¿ A Petrobras vivia um drama, sem saber se era empresa ou Estado ¿ diz Bacoccoli.

Na época, vigorava no país a conta-petróleo, por meio da qual a Petrobras deixava de repassar ao consumidor a alta do óleo importado. Em compensação, era reembolsada pela União, mas nem sempre às claras. Desde 2000, a estatal tem planos de longo prazo. A previsão de investimento até 2010 é de US$12 bilhões ao ano, contra US$3 bilhões de antes de 1997.

O país também ganhou: as reservas de petróleo são hoje de 11,2 bilhões de barris (contra 7,1 bi em 1997). E outras 56 empresas estrearam no setor, com previsão de investimentos de US$66,2 bilhões até 2010.

¿ Temos hoje gigantes como a Shell produzindo e Chevron, Devon e El Paso operando blocos ou declarando a comercialidade de descobertas ¿ avalia Mauro Andrade, consultor da Deloitte Touche Tohmatsu.