Título: PARTIDOS NANICOS, SURPRESA NAS PESQUISAS
Autor: Renata Malkes
Fonte: O Globo, 28/03/2006, O Mundo, p. 31
Defendendo aposentados, imigrantes e legalização da maconha, legendas conquistam eleitores
TEL AVIV. Enquanto os três grandes partidos tentam obter o maior número possível de cadeiras no Parlamento e especulam sobre possíveis alianças, legendas de médio e pequeno porte crescem nas últimas pesquisas e já ameaçam o equilíbrio de forças do novo governo. Uma das grandes surpresas das eleições deve ficar por conta do ultra-direitista laico Israel Nossa Casa, que segundo estimativas deve tornar-se o quarto maior partido de Israel, conquistando 12 cadeiras e entrando na briga por um lugar no novo governo de coalizão.
Comandado pelo ex-deputado Avigdor Liberman, o Israel Nossa Casa luta pelos direitos dos imigrantes, sobretudo os saídos de países da antiga União Soviética, que representam mais de 15% da população. Para aliados próximos ao candidato do Kadima, Ehud Olmert, a influência de Liberman já é motivo de preocupação, já que o partido de ultra-direita promete complicar a montagem da coalizão que sustentará o governo devido à sua recusa em aceitar projetos como o fim de colônias judaicas na Cisjordânia.
Liberman imigrou da Rússia para Israel há 20 anos e é forte defensor da linha-dura em relação aos palestinos. Na área econômica, prega uma menor intervenção do Estado na economia e o fortalecimento do capitalismo neo-liberal. Para analistas, o crescimento do Israel Nossa Casa é resultado da desilusão de cerca de um milhão de eleitores oriundos da antiga URSS que enfrentaram sérias dificuldades de absorção na sociedade israelense e de entrada no mercado de trabalho e decidiram apostar num candidato que fala a mesma língua.
Entre os partidos nanicos, o Folha Verde concorre pela terceira vez às eleições deixando de lado temas como segurança e economia para apostar na legalização da maconha. As estatísticas mostram que o bloco do líder Boaz Vechtel ainda tem chances de receber ao menos duas cadeiras na próxima Knesset (Parlamento) atraindo eleitores jovens de classe média alta desiludidos com os grandes partidos. Acusada de promover o uso das drogas, a cúpula do partido se defende alegando que sua plataforma prega apenas a legalização da maconha.
Outro azarão é o Partido dos Aposentados, que também tem chances de ocupar dois lugares no próximo Parlamento. Motivo de gozações no início da campanha, o partido nasceu da fusão de diversas ONGs de defesa dos direitos dos aposentados e melhorias nos benefícios da Previdência Social. Sob o comando de Rafi Eitan, de 76 anos, os aposentados preferem não hastear bandeiras ideológicas quando o assunto é política. Eitan garante que caso cheguem à Knesset, prometem participar de qualquer coalizão e focar-se somente em assuntos ligados à vida dos pensionistas. O curioso é que na reta final da campanha a legenda tem atraído eleitores muito mais jovens que seus filiados. (R.M.)