Título: PF PROCURA OUTRAS VIOLAÇÕES DE SIGILO
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Fonte: O Globo, 13/04/2006, O País, p. 11
Delegado também apura se circularam informações sobre conta do caseiro
BRASÍLIA. A Polícia Federal decidiu investigar se outros clientes da Caixa ligados ao caseiro Francenildo Costa também tiveram o sigilo de suas contas quebrado ilegalmente mês passado a partir do laptop do gerente de Política de Gestão, Jeter Ribeiro de Souza. Em ofício encaminhado ao Instituto Nacional de Criminalística terça-feira, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes pede que os peritos encarregados da análise do equipamento verifiquem se o computador foi utilizado para produzir outros documentos.
O ofício contém nove perguntas elaboradas a partir dos indícios e depoimentos colhidos desde o início do inquérito sobre a quebra ilegal do sigilo de Francenildo. "É possível afirmar se houve impressão de outros documentos bancários pelo notebook analisado ou pela sua cópia em HD fornecido pelo empregado Jeter Ribeiro de Souza?", indaga o delegado em uma das questões enviadas ao Instituto de Criminalística.
A PF não informou se há indícios de violação de outras contas. Segundo um policial, a intenção de Rodrigo Gomes é fazer uma investigação abrangente para não deixar brechas no inquérito sobre a operação que resultou no vazamento da movimentação bancária de Francenildo, pivô da queda do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso.
Peritos terão 20 dias para responder a perguntas da PF
No mesmo ofício, Rodrigo Gomes pede também que os peritos tentem descobrir se funcionários da Caixa trocaram mensagens eletrônicas sobre a conta de Francenildo. "Há troca de e-mails sobre os dados financeiros de Francenildo?" O delegado perguntou ainda se o computador portátil foi usado na sede da Caixa e em outros locais no dia da quebra do sigilo. Os peritos terão 20 dias para responder estas e mais seis perguntas relacionadas ao uso do laptop de Ribeiro. O extrato do caseiro foi emitido no laptop de Ribeiro em 16 de março.
O advogado Wlício Chaveiro, que defende o caseiro, apresentou ontem à PF a cópia de uma rescisão de contrato de trabalho de Francenildo com representantes da embaixada do Zimbábue em setembro do ano passado. Segundo o delegado, o documento comprovaria a legalidade de um depósito de R$1.012 que aparece na conta. A informação sobre o depósito consta do relatório que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviou à PF antes da abertura do inquérito sobre a quebra do sigilo bancário.
Na terça-feira, o Coaf enviou à PF as explicações formais sobre a produção do relatório com as movimentações financeiras atípicas do caseiro. Rodrigo Gomes considerou bem fundamentados os argumentos apresentados pelo Coaf. No início das investigações surgiu a suspeita de que o órgão, unidade de inteligência financeira vinculada ao Ministério da Fazenda, pudesse ter sido acionado por Palocci para provocar uma investigação sobre Francenildo.