Título: PROMOTOR ACREDITA QUE IRMÃO ACUSARÁ SUZANE
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 13/04/2006, O País, p. 14

Roberto Tardelli se encontrou com Andreas e disse que ele pretende se afastar da irmã

SÃO PAULO. Considerado determinante no julgamento de Suzane von Richthofen, o depoimento de Andreas, irmão da jovem e filho mais novo de Marísia e Manfred von Richthofen, assassinados em outubro de 2002, é visto pela Promotoria Criminal como a peça mais importante para determinar a pena de Suzane e de Daniel e Cristian Cravinhos, irmãos que executaram o casal. O promotor do caso, Roberto Tardelli, deu ontem indicações de que Andreas ajudará a incriminar ainda mais a irmã.

- Ele está perplexo e disse que pretende se afastar cada vez mais dela - afirmou o promotor, que esteve com Andreas segunda-feira horas depois de a Justiça decretar a prisão de Suzane. - Ele vai comparecer ao julgamento, mas não vai testemunhar a favor da irmã - garantiu Tardelli, que disse esperar que Andreas compareça ao tribunal do juri, em 5 de junho," de coração aberto".

Andreas, que tinha 15 anos na época do crime, foi levado no dia 31 de outubro de 2002 por Suzane e Daniel para um cybercafé para que ninguém testemunhasse o crime dentro da casa. Depois do assassinato, Suzane e o namorado foram para um motel. Em seguida, os dois pegaram o garoto e o levaram para casa. Andreas teria visto os pais, já mortos, em cima da cama. Desde então, o estudante, hoje com 18 anos, evita a imprensa a todo custo.

A advogada de Andreas na área cível, Maria Aparecida Cardoso Frosini Lucas Evangelista, disse ontem que não falaria sobre questões do inventário, nem sobre o crime, para preservar a privacidade da família.

Defesa de Suzane não entra com hábeas-corpus

Os advogados de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira e Mário de Oliveira Filho, não conseguiram dar entrada ontem com o pedido de hábeas-corpus no Tribunal de Justiça. A assessoria dos criminalistas informou que não houve tempo hábil para concluir a fundamentação da defesa. Com o feriado, os advogados só poderão entrar com o pedido na segunda-feira. Até lá, Suzane será mantida na Penitenciária Feminina de Santana, antigo Carandiru, na zona norte de São Paulo. Os advogados temem pela vida dela, já que a penitenciária é uma das que sofre constantes rebeliões.

A Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp) vai pedir ao Ministério Público a instauração de um inquérito para investigações as condições em que Suzane passou a noite na sede do departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo um delegado, Suzane ficou algemada à parede.

- Se não havia lugar na penitenciária para transferi-la, ela deveria ter sido levada para uma sala, onde pudesse deitar, se alimentar e descansar. Não se pode admitir barbaridades - afirmou Ademar Gomes, presidente do Conselho da Acrimesp. (Colaborou Wagner Gomes, do Globo Online