Título: NÚMERO DE POBRES CAIU 3% NO BRASIL
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 21/04/2006, Economia, p. 30
Segundo o Bird, queda ocorreu entre 2002 e 2005 e foi maior que a da AL
WASHINGTON. Entre 2002 e 2005 a pobreza teve uma redução de pouco menos de 1% na América Latina. O índice teria sido ainda menor se não fosse o Brasil, onde a queda foi bem mais acentuada: o número de pobres teve uma diminuição de 3%, segundo estudo divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird).
¿ O impacto das políticas sociais no Brasil tem sido extraordinariamente impressionante. O programa Bolsa Família tem tido um papel importante na redução da pobreza ¿ disse o economista-chefe do Bird, François Bourguignon.
Em entrevista coletiva, o presidente do banco, Paul Wolfowitz, também fez rasgados elogios ao projeto, que é financiado pelo Bird:
¿ Programas desse tipo sugerem que é possível provocar um grande impacto sobre a pobreza e no número de pessoas que vivem na miséria. No caso do Brasil eu creio que estamos falando em nada menos do que meio ponto percentual do seu Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto das riquezas produzidas no país).
Segundo Wolfowitz, a América Latina em geral deveria se empenhar mais em promover projetos ¿que realmente façam diferença¿. O executivo disse que a grande questão é saber como fazer com que o crescimento econômico seja mais rápido, sem que isso implique necessariamente em grandes saltos.
¿ O importante é ver o que se pode fazer para distribuir melhor os resultados do crescimento que já existe. Eu creio que há a possibilidade de se obter melhores resultados na redução da pobreza, mesmo com um crescimento econômico limitado ¿ disse.
Segundo Wolfowitz, é preciso investir em melhor educação aos pobres. Isso, para o presidente do Bird, gerará por si só índices mais altos de crescimento:
¿ Não existe outro investimento que produza retorno mais alto do que o que é feito em educação básica para as crianças. Essa é uma área em que melhores políticas podem fazer diferença.
América Latina deve ser mais ambiciosa, diz Rato
Por sua vez, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse que chegou a hora de a América Latina ser ¿mais ambiciosa em responder às suas próprias necessidades¿.
O momento, afirmou Rato, é bastante propício para que a região possa tirar proveito das boas circunstâncias econômicas globais que têm beneficiado os países latino-americanos:
¿ Depois de duas décadas perdidas, existe agora uma chance para que o crescimento seja sustentável. As taxas de inflação estão baixas e os déficits públicos estão diminuindo. A administração da dívida está se tornando muito mais eficiente.