Título: CHÁVEZ: `VALOR DO BARRIL PODE CHEGAR A US$100¿
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 21/04/2006, Economia, p. 31

Cotação do produto recuou ontem no mercado internacional e o tipo Brent fechou a US$73,18

CURITIBA e NOVA YORK. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou ontem, em visita ao Brasil, que o preço do barril do petróleo poderá chegar a US$100 com a ameaça de invasão do Irã pelos Estados Unidos. Ontem, no entanto, os preços da commodity recuaram dos patamares recordes nos mercados internacionais pela primeira vez após oito altas consecutivas.

¿ Acabou o petróleo barato e o preço do barril, que há 30 anos era de US$30, pode chegar a US$100 ¿ advertiu ele, durante cerimônia de assinatura de contratos de cooperação com o governo do Paraná.

Segundo Chávez ¿ que também se reuniu com militantes da Via Campesina, representada no Brasil pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ¿ a guerra com o Iraque, que estaria ligada diretamente ao controle do petróleo, diminuiu a produção na região, ao contrário do que esperava o governo Bush.

¿ Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, eram produzidos dois milhões de barris de petróleo por dia. Eles (EUA) acharam que seriam recebidos com flores, na esperança de produzir três milhões de barris, e hoje não chega a um milhão ¿ disse Chávez.

O barril do petróleo do tipo Brent, negociado na Bolsa Intercontinental de Futuros (ICE, na sigla em inglês), em Londres, fechou ontem cotado a US$73,18, uma queda de 0,7% em relação ao fechamento da véspera, quando atingiu o máximo desde que começou a ser negociado na ICE, em 1988: US$74. Já na Bolsa Mercantil de Nova York, os contratos para maio caíram 0,3%, para US$71,95 por barril, após atingirem pico histórico de US$73,50 no pregão eletrônico, após o fechamento.

Com a ameaça agora pairando sobre o Irã, Chávez aposta que os EUA iriam sofrer uma dura derrota em caso de invasão ao país vizinho.

¿ Se invadissem, os EUA iriam encontrar uma resistência maior do que no Iraque, com um povo bem armado e preparado ¿ analisou.

Apostando nesse cenário, o presidente venezuelano acredita que a produção mundial tende a cair, elevando, como conseqüência, o preço do petróleo. Ele vislumbra um futuro sombrio para as reservas de petróleo e sinalizou que é preciso que os países se preparem para uma escassez do produto:

¿ As reservas estão caindo e o consumo, aumentando. Nos EUA, 80% dos carros vendidos levam apenas um passageiro. Não há recursos naturais para tanto individualismo.

Para combater a escassez de petróleo no futuro, Chávez propõe o que denominou de ¿revolução energética¿ posta em prática pelo presidente de Cuba, Fidel Castro, explorando fontes de gás natural. A Venezuela, que tem a maior reserva mundial de gás, está disposta a formar uma aliança latino-americana para prover a região com energia alternativa.

(*) Com agências internacionais