Título: PT ESCOLHE VLADIMIR NO RIO E DECIDE APOIAR CANDIDATO DO PSB NO CEARÁ
Autor: Isabela Martin e Maiá Menezes
Fonte: O Globo, 22/04/2006, O País, p. 4
Decisões dos encontros regionais ainda serão submetidas às convenções
FORTALEZA E RIO. Enquanto o PT do Rio decidiu apoiar a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do estado, no Ceará o partido optou ontem por não ter candidato próprio à sucessão estadual. Por 239 votos a favor, 82 contra e seis abstenções, os delegados reunidos no encontro estadual em Fortaleza apoiaram o nome de Cid Gomes (PSB), irmão do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. No encontro do Rio, que reuniu 500 delegados, a decisão foi por aclamação. As decisões serão homologadas nas convenções regionais em junho.
A indicação de Vladimir por pouco não foi adiada para junho: o militante Lourival Casula apresentou recurso pedindo inscrição como pré-candidato. A sua argumentação era de que havia pleiteado o registro no último dia 12 e que a inscrição de Vladimir não foi oficializada. Por trás da manobra estava o impasse em torno da escolha do partido em relação ao Senado e a tentativa de adiar para junho a decisão sobre a candidatura própria, depois que o PT decidir a aliança nacional.
PT se aliará também ao PCdoB e ao PMDB no Ceará
No Ceará, a maioria dos votos contrários à candidatura própria partiram do Movimento PT, cuja principal liderança é José Airton Cirilo. Em 2002 ele perdeu o governo do estado para o tucano Lúcio Alcântara por cerca de três mil votos. O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, amigo de Ciro Gomes, rompeu com o governador Lúcio Alcântara.
O PT indicou para vice o professor de história Francisco Pinheiro, da Tendência Marxista, considerada uma ala radical. A indicação foi feita pela prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT). Francisco Pinheiro foi secretário-executivo de uma regional, um tipo de subprefeitura. No encontro foi aprovado ainda que, além do PSB, os aliados do PT na próxima eleição serão o PCdoB, o PMDB, e outros partidos que dão sustentação política à prefeita Luizianne Lins e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da SIlva.
Luizianne Lins foi a principal articuladora do apoio à candidatura de Cid Gomes. O gesto da prefeita demonstrou uma mudança radical no seu modo de encarar a política. Em 2004, ela foi uma feroz defensora da candidatura própria do partido para a prefeitura. Ela se lançou candidata mesmo sem o apoio da direção nacional e dos principais líderes estaduais do Campo Majoritário. Os petistas argumentam que precisavam montar um palanque forte para reeleger o presidente Lula e derrotar o PSDB no Ceará.
A decisão sobre candidatura própria ou aliança com o PCdoB na campanha pelo Senado no Rio colocou novamente frente a frente aliados da ex-governadora Benedita da Silva, pré-candidata ao Senado, e defensores de Vladimir. Parte do grupo de Benedita votou a favor do recurso de Casula. O grupo queria impor derrota a Vladimir, que é defensor da aliança com o PCdoB em torno do nome da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), mas acabou derrotado. O recurso foi rejeitado por 219 a 141. A votação sobre a questão do Senado se estenderia até a madrugada.
Houve dissidências entre os aliados de Benedita. Delegado da convenção, William Campos defendeu Vladimir, afirmando que o recurso de Casulo tinha a intenção de adiar a decisão sobre a candidatura própria, para permitir aliança com o PRB do senador Marcelo Crivella.
¿ Nenhum petista passaria pelo que ele passou no partido e continuaria no PT ¿ afirmou Campos, referindo-se à intervenção do PT nacional no Rio, em 1998, que cassou a candidatura de Vladimir e impôs o nome de Benedita como vice do então candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho.
¿ Um grupo restrito ligado a Benedita está obstruindo o encontro, porque sabe que vai perder ¿ disse Vladimir.