Título: MANTEGA DEFINIRÁ CORTE ORÇAMENTÁRIO
Autor: Helena Celestino
Fonte: O Globo, 25/04/2006, Economia, p. 24

Recursos contingenciados serão anunciados nas próximas semanas

NOVA YORK. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que vai cortar despesas do governo e atrasar alguns programas não prioritários para cumprir o novo Orçamento, aprovado semana passada com a exigência de redução de 0,1% nos gastos públicos. Ele explicou que ainda não sabe o tamanho do corte necessário nem tem a lista dos programas a serem afetados porque já estava fora do país quando a lei orçamentária foi aprovada, mas garantiu que serão preservados os investimentos em infra-estrutura e logística porque são projetos que sustentam o crescimento do país.

¿ É difícil achar gastos supérfluos na máquina pública, mas existem alguns menos prioritários. As viagens, passagens, compra de equipamentos para alguns ministérios, tudo isso pode ser comprimido de maneira significativa ¿ disse.

O ministro explicou que o novo Orçamento está sendo examinado pelos técnicos do governo e, nas próximas semanas, ele vai escolher os programas que terão os recursos contingenciados. O ministro reconheceu que os gastos do governo cresceram, mas fez uma conta na qual em 2005 as despesas, sem contar a Previdência, ficaram em 10,2% do PIB, menores do que os 10,8% gastos pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 2002.

Em sua primeira viagem a Nova York depois de assumir o ministério, Mantega fez ontem uma longa exposição, em português, sobre a economia brasileira em almoço com cerca de 300 empresários e investidores, encerrando a Cúpula Brasil 2006, promovida pela Câmara de Comércio Brasileira-Americana, no hotel Waldorf Astoria. Provocativo, disse que os ¿sociólogos e politicólogos¿ vão ter que rever a literatura sobre a economia em ano eleitoral porque 2006 vai contrariar a tradição e a economia se comportará com tranqüilidade.

¿ O pré-teste aconteceu ano passado quando o governo ficou sob intenso ataque e a economia não foi afetada ¿ disse, referindo-se à crise política.

Ele garantiu que é remota a chance de um ataque especulativo ou uma fuga de capitais por causa das eleições porque, diz ele, o Brasil é o melhor lugar para investimentos:

¿ Está sobrando dólar no mercado, as pessoas vão querer correr atrás do real. Estão sobrando US$30 bilhões e isso é um problema para o doutor Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) que não sabe o que fazer com os dólares. Tenta comprar uma parte, deixa outra ¿ disse.