Título: PF PRENDE QUADRILHA QUE INVADIA CONTAS BANCÁRIAS
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 27/04/2006, Economia, p. 25

Grupo de 30 comerciantes, empresários e policiais é suspeito de extraviar R$5 milhões só nos dois últimos anos

BRASÍLIA. Na 24ª grande operação de combate ao crime organizado deste ano, a Polícia Federal prendeu ontem 30 comerciantes, empresários e policiais acusados de envolvimento num esquema de clonagem de cartões e invasão de contas bancárias. Entre os suspeitos, 15 foram presos em Uberaba, em Minas Gerais, base de atuação da organização. A polícia prendeu ainda nove acusados em São Paulo, quatro em Brasília e dois em Recife. Só nos dois últimos anos, o grupo extraviou aproximadamente R$5 milhões de contas bancárias de clientes escolhidos ao acaso.

Segundo a polícia, um dos chefes da organização é o empresário Rodrigo Fernandes, dono de um luxuoso sítio às margens do rio Grande, em Uberaba. Com ele, foram apreendidos um carro de luxo e uma lancha de grande porte, além de um jet-ski. Pelas informações da polícia, a quadrilha fabricava equipamentos eletrônicos conhecidos como ¿chupa-cabras¿ e ¿luvas¿ para invadir e sacar dinheiro de contas bancárias.

Com os ¿chupa-cabras¿, instalados em determinados caixas eletrônicos, os acusados copiavam senhas e números de contas no momento em que estavam sendo acessadas por seus verdadeiros donos.

Microcâmeras ou espiões gravavam senhas

Com as ¿luvas¿, os suspeitos copiavam apenas os números das contas. As senhas eram descobertas por espiões ou por microcâmeras instaladas em locais estratégicos. A partir dos dados obtidos com ¿luvas¿ e ¿chupa-cabras¿, os acusados faziam saques ou transferências para contas de fantasmas.

Só em um dos casos, a quadrilha fez a transferência de R$300 mil. A polícia suspeita que essas operações com valores mais expressivos só foram possíveis porque funcionários de bancos foram cúmplices.

Os ¿chupa-cabras¿ e as ¿luvas¿ eram produzidos em dois laboratórios, um em Brasília e outro em Recife. Pelas investigações da polícia, em alguns casos a organização vendia os equipamentos para outros grupos. Mas muitas vezes os integrantes da própria quadrilha faziam os saques e transferências depois de produzirem seus equipamentos.

Os 30 mandados de prisão e 51 de buscas foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal, de Uberaba. Na operação, batizada de Piraíba, foram mobilizados 250 policiais federais e dez policiais civis de Minas. Segundo a PF, Piraíba é uma alusão a um tipo de peixe da região amazônica, grande e difícil de ser pescado.

As investigações começaram há um ano em Uberaba. A polícia recebeu várias denúncias sobre golpes em contas bancárias na região. Em pouco tempo, os policiais chegaram aos suspeitos. Entre eles estão três policiais civis de Uberaba. A partir daí, foram descobertas as conexões do grupo em São Paulo, Brasília, Pernambuco e Ceará.