Título: FESTA DO TRABALHADOR VIRA PALANQUE ELEITORAL
Autor: Ronaldo D'Ercole e Soraya Aggege
Fonte: O Globo, 02/05/2006, O País, p. 10

No Dia do Trabalho, CUT defende gestão e reeleição de Lula e Força Sindical faz fortes críticas ao governo

SÃO PAULO. A festa do Dia do Trabalho promovida pelas principais centrais sindicais do país, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical, virou palanque para ataques e afagos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano eleitoral. Na festa da Força Sindical que aconteceu mais cedo na capital paulista, críticas à política econômica e à corrupção do governo, diante de um público estimado em um milhão de pessoas, na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte paulistana. A CUT dedicou seu palanque na Avenida Paulista à reeleição de Lula.

Com cerca de 1 milhão de pessoas, segundo a PM, os sindicalistas da CUT pediram à população que reeleja o presidente. Os ataques foram destinados apenas ao PSDB. O palanque não teve membros do governo.

No ato da Força, sindicalistas e políticos discursaram por mais empregos e salários, atacaram a elevada carga tributária e os privilégios aos bancos. Ao comentar o pronunciamento de Lula, domingo, em comemoração ao 1º de Maio, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, foi irônico.

¿ Ouvi o presidente e fiquei com a impressão de que, ou ele está voando muito, ou está no mundo da lua, porque a realidade aqui embaixo é outra O modelo econômico do governo Lula foi o de agradar os poderosos e dar esmola aos pobres. Não pode ser esse o modelo de desenvolvimento do país ¿ disse Paulinho.

Pré-candidatos usam festa para criticar presidente

Ex-ministro da Educação do governo Lula e pré-candidato do PDT à Presidência da República, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF)afirmou que ao comparar o que candidato Lula prometeu em 2002 com o que foi feito até aqui, não haveria nada para se comemorar neste 1º de Maio. O deputado Roberto Freire (PPS-PE), também pré-candidato pelo PPS, descartou qualquer tipo de aliança do seu partido com o PT ¿ ¿que fez da corrupção uma prática do dia-a-dia¿ ¿ e pregou a renovação do Brasil.

Apresentado ao público pelo presidente da Força Sindical, pouco antes do início da abertura oficial do ato público, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), foi alvo de uma vaia solene. Ele tentou discursar, mas diante das vaias, falou por dez segundos. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também não foi ao ato da Força e nem do da CUT alegando que estava com torcicolo. Ele foi apenas à missa do trabalhador celebrada na igreja Matriz de São Bernardo do Campo, ao lado de Lula.

No 1º de Maio da CUT, o palanque não teve membros do governo, mas houve várias manifestações políticas.

¿ Assim como os editoriais dos jornais têm defendido os tucanos, estamos aqui para defender o Lula. É melhor Lula que qualquer tucano ¿ discursou o presidente nacional da CUT, João Felício.

Únicos políticos no palanque, a ex-prefeita Marta Suplicy e o senador Aloizio Mercadante, ambos pré-candidatos do PT ao governo paulista, não puderam fazer discursos, mas foram aplaudidos. O tom político ficou por conta dos sindicalistas e de partidos aliados ao PT.

¿ Esse tucanozinho aí anda falando em choque de gestão. É coisa de burocrata, de almofadinha. Como diz o presidente Lula, o necessário é um choque de inclusão social ¿ disse o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

O MR-8, grupo ligado a Orestes Quércia, leu um longo manifesto de apoio a Lula. ¿Vamos derrotar os vendilhões da pátria com o presidente Lula. Vamos derrotar a Quinta Coluna tucana e suas pretensões de retomar o poder¿, disseram.

Os sindicalistas também elogiaram as medidas anunciadas por Lula, de criação do Conselho Nacional de Relações do Trabalho e o reconhecimento formal das centrais sindicais. Segundo Felício, a política econômica ainda causa inquietações, principalmente por causa da meta do superávit primário, o câmbio flutuante e a falta de uma redução acelerada nos juros. Mas as críticas ficaram restritas aos jornalistas. No palanque, o governo só recebeu elogios dos sindicalistas.

O evento da CUT custou R$2,5 milhões, segundo a central, e teve patrocínio de empresas públicas, como a Petrobras. Houve apresentações de diversos gêneros musicais como pagode, samba, sertanejo, rock, romântico e pop.