Título: PRODI ENFRENTA DIFICULDADES NO SENADO
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Fonte: O Globo, 29/04/2006, O Mundo, p. 34
Três votações terminam sem que presidente da Câmara alta seja escolhido
ROMA. O primeiro-ministro eleito da Itália, Romano Prodi, teve ontem as primeiras demonstrações de como será difícil governar com maioria estreita. Durante a escolha para presidente do Senado, houve três rodadas de votação, sem chegar a lugar algum e com um inquietante recado enviado pelos próprios aliados de Prodi.
A terceira rodada terminou com um resultado insólito: o candidato de centro-esquerda, Franco Marini, de 73 anos, obteve 161 votos, um a menos do que o necessário. Havia mais um voto, e que poderia lhe dar a vitória se não fosse considerado ¿duvidoso¿: nele estava escrito apenas ¿Marini¿, em vez de ¿Franco Marini¿. Seu rival, Giulio Andreotti, de 87 anos, candidato da coalizão de Silvio Berlusconi, obteve 155 votos.
No fim da noite, os senadores, a maioria de idade avançada, estavam esgotados por uma maratona de votações, que pode se repetir hoje
A eleição do presidente do Senado concentrou as atenções do primeiro dia do novo Parlamento, constituído após as eleições de 9 e 10 de abril. Na primeira rodada de votação, nenhum dos candidatos conseguiu os 162 votos necessários: Marini ficou com 157, e Andreotti com 140.
Na segunda, Marini teria ganho por um voto, mas políticos de centra-direita contestaram dois votos, em que o primeiro nome de Marini aparecia como ¿Francesco¿.
Num país que deu ao mundo Maquiavel, poucas pessoas acham que tais erros podem ter acontecido por acaso. Eles foram vistos como sinais de senadores de centro-esquerda, advertindo Prodi que o apoio deles não estava garantido.
¿ A contagem regressiva para uma eleição antecipada já começou ¿ advertiu Paolo Guzzanti, senador do Forza Italia, de Berlusconi.
Já na Câmara baixa, acredita-se que a coalizão de Prodi eleja hoje o comunista Fausto Bertinotti sem dificuldades, já que tem maioria de 70 cadeiras.