Título: LÍDER DE PROTESTO PELA EBX PEDE ASILO AO BRASIL
Autor: Patricia Duarte
Fonte: O Globo, 02/05/2006, Economia, p. 21

Manifestante diz ter procurado Polícia Federal em Corumbá

LA PAZ. O presidente do Comitê Cívico de Puerto Suárez, Edil Gericke, que nos últimos dias liderou os protestos dos moradores da região pela permanência da siderúrgica brasileira EBX na Bolívia, disse ontem que pediu asilo político ao Brasil porque teme ser preso em seu país. Gericke afirmou à agência de notícias EFE que, no domingo, procurou a Polícia Federal de Corumbá, cidade brasileira que é vizinha de Puerto Suárez, ¿para iniciar os trâmites do asilo político¿.

¿ Estou pedindo o asilo porque sinto que os direitos estão sendo violados, há muitas ameaças contra mim ¿ explicou Gericke.

Desde a semana passada, moradores de Puerto Suárez e de cidades vizinhas fazem protestos contra a decisão do governo de expulsar a EBX do país. Os manifestantes bloquearam estradas, ocuparam a pista de pouso local e impediram que fiscais do governo entrassem nas instalações da EBX.

Para ministro, pedido de asilo é ¿opereta política¿

O governo da Bolívia acusa a siderúrgica de ter violado leis do país. No sábado, uma ordem judicial determinou a ocupação da empresa, o que não foi possível devido aos piquetes. Segundo Gericke, a ação judicial também pede a prisão dos organizadores das manifestações:

¿ O governo quer fazer detenções para, depois, negociar nossa libertação em troca da suspensão dos protestos.

Em entrevista ao jornal ¿La Prensa¿, o ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana, disse que o pedido de asilo de Gericke era ¿uma típica opereta política¿ do líder social para se fazer de vítima. O ministro afirmou também que a atitude de Gericke era um reconhecimento implícito de sua responsabilidade pelos transtornos em Puerto Suárez.

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