Título: IRAQUE: SOLDADOS SUNITAS SE REVOLTAM E SE RECUSAM A SERVIR FORA DE SUAS CIDADES
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Fonte: O Globo, 03/05/2006, O Mundo, p. 30
Engenheiros alemães são soltos após mais de três meses em cativeiro
BAGDÁ. A formatura de cerca de mil novos soldados iraquianos, a maioria deles sunitas, transformou-se em tumulto, na província de Anbar, quando dezenas deles disseram que se recusavam a servir fora de suas regiões. A cerimônia no Campo Habbaniyah, base a 70 quilômetros a oeste de Bagdá, transcorria normalmente, com os 978 soldados marchando e oficiais discursando. Então, alguns soldados começaram a arrancar seus uniformes para demonstrar sua revolta.
O protesto foi deflagrado pelo anúncio de que os novos soldados, todos de Anbar ¿ coração do movimento rebelde sunita ¿ teriam que servir fora de suas cidades e mesmo da província.
Imagens exibidas pelas TVs al-Jazeera e al-Arabiya mostraram dezenas de soldados jogando o uniforme para cima. Outros mostravam o punho na direção da câmera, enquanto oficiais tentavam conter o tumulto.
Recrutar sunitas tem sido um dos objetivos da política americana para a reconstituição das Forças Armadas iraquianas. A cerimônia de formatura do primeiro grupo de um total de cinco mil homens recrutados em Anbar representava um grande progresso. Mas os comandantes temem que se estes homens servirem em suas cidades sejam cooptados pelos rebeldes.
O Ministério da Defesa iraquiano informou ontem que os soldados que protestaram já haviam se juntado à tropa.
¿ Foram apenas 25 pessoas que fizeram o tumulto ¿ disse o Major-General Abdul-Aziz Mohammed, do ministério.
Mohammed explicou que do ponto de vista militar era errado deslocar soldados em sua província, mas que exceções estavam sendo feitas devido à violência no país.
Imagens mostram corpo de ex-ministro sendo pisoteado
Segundo as forças dos EUA, mais de cem insurgentes foram mortos na semana passada na cidade de Ramadi, em Anbar, em pesados confrontos com forças americanas e iraquianas.
Dois engenheiros alemães que haviam sido seqüestrados há mais de três meses foram libertados, informou ontem o Ministério do Exterior alemão. Rene Braeunlich e Thomas Nitzschke devem retornar hoje à Alemanha. Eles foram seqüestrados no dia 24 de janeiro na cidade de Baiji, no norte, quando trabalhavam numa fábrica.
O ministro Frank-Walter Steinmeier disse que os engenheiros não foram feridos, mas não revelou detalhes da libertação ou se foi pago resgate. Mais de 200 estrangeiros e milhares de iraquianos foram seqüestrados desde a invasão americana, em 2003. E pelo menos 55 estrangeiros foram executados.
A al-Arabiya divulgou imagens do cadáver de Mohammed Hamza al-Zubaidi ¿ que estava na lista dos 55 iraquianos mais procurados pelos EUA ¿ sendo pisoteado. Zubaidi, que foi premier em 1991, estava sob custódia americana quando morreu, em dezembro passado. Na época, as autoridades americanas informaram que ele teve insuficiência cardíaca.
O Exército americano negou responsabilidade no episódio, dizendo que o fato aconteceu depois da entrega do corpo a um hospital iraquiano.