Título: IRÃ AMEAÇA ATACAR ISRAEL SE EUA O AGREDIREM
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Fonte: O Globo, 03/05/2006, O Mundo, p. 30

Relutância de Rússia e China em aprovar sanções leva Washington a admitir propor ações individuais de países

TEERÃ. O Irã ameaçou ontem atacar Israel se sofrer qualquer ação hostil dos EUA, e ainda afirmou que já enriqueceu urânio a um nível próximo do máximo compatível para uso civil em usinas de energia nuclear. As novas declarações desafiadoras foram dadas num dia em que potências mundiais se reuniram em Paris para decidir como agir com Teerã, que rejeita a exigência da ONU de que interrompa o enriquecimento de urânio.

¿ Anunciamos que se os EUA fizerem alguma maldade, nosso primeiro alvo será Israel ¿ disse o contra-almirante Mohammad-Ebrahim Dehqani, comandante da Guarda Revolucionária iraniana.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, já defendeu mais de uma vez o fim do Estado israelense.

Linguagem moderada em proposta de resolução

Anteontem, o Irã denunciou à ONU que os EUA estão ameaçando atacá-lo. Ontem, o vice-ministro de Petróleo, Mohammad Hadi Nejad-Hosseinian, declarou:

¿ Estou preocupado (com um ataque americano). Todos estão preocupados ¿ disse.

Já o chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, Gholamreza Aghazadeh, disse que seu país está enriquecendo urânio no nível de 4,8%. O nível para usinas nucleares é de 3% a 5%, mas para fabricar uma bomba seriam necessários 80%. Por outro lado, o Irã disse que começará a instalar três mil centrífugas este ano, o que poderia facilitar a produção de material nuclear para a fabricação de uma bomba em um ano.

Representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU ¿ Reino Unido, China, França, Rússia e EUA ¿ e da Alemanha discutiram ontem como conter a ambição nuclear do Irã. EUA, Reino Unido e França deverão apresentar uma proposta de resolução ao Conselho esta semana para obrigar o Irã a cumprir as exigências da ONU. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse que sanções não seriam incluídas na proposta neste momento, mas poderiam ser mais tarde. Além disso, afirmou, países poderiam tomar decisões neste sentido individualmente.

EUA, Reino Unido e França tendem a impor sanções a Teerã, mas Rússia e China têm posições mais moderadas e, como membros permanentes, têm poder de veto nas decisões do Conselho. Daí o interesse dos EUA em ações individuais, como explicou o embaixador americano na ONU, John Bolton:

¿ Se por algum motivo o Conselho não puder cumprir todas as suas responsabilidades, acho que isto caberia a nós, e estou certo de que pressionaríamos para pedir a outros países e outros grupos de países que impusessem sanções.