Título: VENEZUELA REAGE A AMORIM: `FALTA DE RESPEITO¿
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 11/05/2006, Economia, p. 33

Governo vizinho assegura que Hugo Chávez não influiu na nacionalização boliviana

BUENOS AIRES. O governo de Hugo Chávez contestou as declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre o desconforto que causou ao governo brasileiro a atuação do presidente da Venezuela no processo de nacionalização do setor de gás e petróleo da Bolívia. Em nota da chancelaria venezuelana, o governo Chávez considerou ¿uma falta de respeito repetir as provocações que a imprensa reacionária tem lançado sobre o presidente da Bolívia, apresentado como uma espécie de homem sem personalidade nem critério próprio, justamente por ter executado um mandato de seu povo e um compromisso de honra assumido em sua campanha pela Presidência¿.

Um dia depois de Amorim dizer que ¿foi transmitido a Chávez nosso desconforto e o desconforto pessoal do presidente Lula, de maneira inequívoca, com as ações praticadas¿, a Venezuela se mostrou surpresa: ¿Afirmar que a decisão soberana determinada pelo presidente Evo Morales de nacionalizar os hidrocarbonetos obedeceu à influência do presidente Hugo Chávez pode ser atribuído a qualquer outra causa, menos ao desconhecimento por parte de nossos apreciados amigos brasileiros. É mundialmente conhecida a realização de um referendo na Bolívia sobre a nacionalização de seus recursos naturais¿.

A chancelaria venezuelana disse, ainda, que ¿censurar a presença de funcionários da estatal Petróleos da Venezuela que estão na Bolívia, respondendo ao pedido legítimo das autoridades locais para dar assistência técnica em aspectos considerados necessários, seria tão absurdo como condenar a presença de funcionários de Petrobras¿.

As críticas ao governo de Chávez também irritaram La Paz: autoridades do governo boliviano negaram categoricamente a participação do presidente venezuelano no processo de nacionalização dos combustíveis.

¿ São simplesmente rumores infundados, que têm mais a ver com calúnias do que com a realidade ¿ disse o vice-presidente boliviano, Álvaro Garcia Linera, assegurando que Chávez não participou da elaboração do decreto de nacionalização. ¿ A decisão de nacionalizar as reservas de gás e petróleo faz parte do programa de governo da Bolívia, que surgiu das manifestações de 2003, cujo lema era nacionalizar sem expropriar.

Segundo o Itamaraty, o que o chanceler Celso Amorim tinha a dizer sobre o assunto foi expresso na audiência no Senado.

CÚPULA DISCUTIRÁ DECRETO DE MORALES E AÇÃO DE CHÁVEZ, na página 34

www.oglobo.com.br/petroleo