Título: MAIS DEPUTADOS PODEM TER LIGAÇÃO COM MÁFIA
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 17/05/2006, O País, p. 18
Delegado da PF mostra na Câmara livro-caixa da quadrilha dos `sanguessugas¿ com rubricas de propinas
BRASÍLIA. O livro-caixa e o relatório de projetos da máfia dos sanguessugas, a organização acusada de vender ambulâncias superfaturadas para prefeituras, caíram como uma bomba na Comissão Especial da Corregedoria da Câmara encarregada de investigar o envolvimento de parlamentares com a quadrilha. Com a movimentação diária dos pagamentos de propina da organização, o livro deverá aumentar o número de deputados que estão sob suspeita de prestar serviços para os sanguessugas. O livro, que registra pagamentos de R$5 mil a R$50 mil, foi entregue ontem à Comissão Especial pelo delegado Tardelli Boaventura, coordenador da Operação Sanguessuga.
¿ São dados extremamente importantes. Nomes que foram citados podem ser excluídos. Mas nomes que não foram citados podem ser acrescentados ¿ afirmou o relator do caso, deputado Robson Tuma (PFL-SP).
Deputado que aparece na lista não é investigado
Entre os nomes de parlamentares que aparecem na lista da contabilidade dos sanguessugas estão os deputados Nilton Capixaba (PTB-RO), 2º secretário da Mesa da Câmara, o ex-líder do PP Pedro Henry (MT), e o vice-presidente da Câmara, Thomaz Nonô (PFL-AL). Estão neste grupo ainda os deputados Dr. Benedito Dias (PP-AP) e Benedito Lira (PP-AL). Os nomes deles estão incluídos na rubrica ¿contas a pagar¿, onde constam as despesas pagas pela Planam, a principal empresa dos sanguessugas, entre 2001 e 2005.
O nome de Capixaba aparece várias vezes na mesma lista. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-gerente de restaurante Marcelo Antônio de França disse que Capixaba fazia parte do grupo de cinco parlamentares que se reuniam num hotel em Brasília com o empresário Darci José Vedoin, apontado como chefe dos sanguessugas. Capixaba é citado também no primeiro relatório reservado da Polícia Federal sobre as atividades da máfia. Mas, mesmo assim, o nome dele foi excluído da leva dos 16 parlamentares que estão sob investigação da Comissão Especial.
Comissão verificará se emendas beneficiavam máfia
A situação de Pedro Henry também não é confortável. Um dos acusados de receber dinheiro do valerioduto, ele escapou de perder o mandato. Tardelli Boaventura também entregou à Comissão Especial um livro com o registro de projetos de vários ministérios, que estavam sendo acompanhados pela máfia.
Todos os projetos descritos no documento são financiados com verbas oriundas de emendas parlamentares. A Comissão Especial deve agora fazer conferir os nomes dos autores das emendas e checar se as empresas beneficiadas pertencem a Darci Vedoín.
¿ São denúncias que envolvem entre 60 a 80 parlamentares ¿ disse uma autoridade que teve acesso aos papéis.
Entre os parlamentares citados no segundo documento está a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). O nome dela aparece num registro de 2001, quando ela ainda não era senadora. A polícia chegou ao livro-caixa e ao relatório a partir dos arquivos dos computadores da máfia apreendidos há duas semanas.
Um auxiliar de Thomaz Nonô negou que o deputado conheça os acusados. Nilton Capixaba e a senadora Serys não retornaram as ligações da reportagem. Pedro Henry não foi localizado.
Alvo da operação da PF, o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuana (PB), se defender das acusações na tribuna. Disse que foi ¿miseravelmente enganado¿. Contou que conheceu dois assessores envolvidos no esquema quando foi ministro da Integração Nacional. Os dois foram presos e depois demitidos:
¿ Mas jamais os orientei no sentido de qualquer procedimento espúrio ou ilegal.