Título: CRISTOVAM DEVE TER FREIRE COMO CANDIDATO A VICE
Autor: Chico Oliveira
Fonte: O Globo, 24/05/2006, O País, p. 12

PDT e PPS costuram chapa conjunta para eleição presidencial

BRASÍLIA. O PDT e o PPS deram mais um passo ontem em direção ao lançamento de um candidato comum para disputar a Presidência da República em outubro. A chapa teria o senador pedetista Cristovam Buarque como candidato a presidente e o deputado Roberto Freire (PPS-PE) como vice. A idéia é ter mais uma candidatura no campo da esquerda, além da candidata do PSOL, senadora Heloisa Helena (AL), para se contrapor aos dois principais candidatos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Depois de seis horas de reunião, a executiva do PDT decidiu reafirmar ontem a candidatura a presidente de Cristovam e elegeu o PPS como seu aliado preferencial nas eleições estaduais e nacional. A executiva do PPS, por sua vez, decidiu negociar com o PDT, o PV e o PHS o lançamento de um candidato a presidente.

- Nossa intenção é caminhar com o PPS. No domingo conversei com Freire, por mais de três horas, e nos demos um prazo até 10 de junho para concluir o acordo eleitoral - disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Maioria do PDT defende candidatura própria

Os pedetistas Alceu Collares e o ex-prefeito de São Luís, Jackson Lago, candidatos aos governos do Rio Grande do Sul e do Maranhão, respectivamente, manifestaram posição contrária ao lançamento de candidato presidencial, argumentando que isso inviabilizaria alianças eleitorais mais amplas nos estados. Mas a maioria do PDT ainda defende a candidatura própria, com a alegação de que ela será fundamental para que o partido atinja a cláusula de desempenho, 5% dos votos nacionais à Câmara dos Deputados.

A decisão do PPS teve menor contestação, mas o partido deixou a porta aberta para abrir mão de sua candidatura, caso fique só, sem aliados.

- Reafirmamos a candidatura e decidimos buscar uma aliança com o PDT. Para nós é muito difícil sair sem uma aliança Ö afirmou o presidente do PPS, Roberto Freire.

Caso as negociações entre e PDT e o PPS fracassem, o PPS deverá concluir entendimentos para apoiar Alckmin. Os ex-comunistas não pretendem liberar o partido para alianças nos estados sem acertar uma coligação formal na eleição para presidente, e pretendem aguardar, a exemplo do PDT, que o quadro fique mais claro no PMDB.

- O apoio ao PT e a Lula não tem respaldo no partido. Podemos apoiar Alckmin, mas devemos esperar para ver se o PMDB terá candidato - afirmou Freire.