Título: MINISTÉRIO PÚBLICO VOLTA A DENUNCIAR A LOJA DASLU
Autor: Rnaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 24/05/2006, Economia, p. 31

Trading teria importado mercadorias ocultando que comprador era a butique de luxo de SP

SÃO PAULO. A Daslu, maior centro de consumo de luxo do país, voltou a ser denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposta fraude na importação de mercadorias. Com base em ação da Receita Federal de Santa Catarina, que no início deste ano apreendeu um contêiner com bolsas de Gucci e Chanel avaliadas em R$1,7 milhão, a butique de São Paulo tornou-se alvo de inquérito por tentativa de sonegação fiscal. As mercadorias foram trazidas ao país pela Columbia Trading, numa operação em que o nome do verdadeiro importador, a Daslu, segundo constatou a Receita, teria sido ocultado.

- É evidente que a Daslu fazia uso dessa empresa como fachada, numa fraude para ocultar o verdadeiro importador e pagar menos IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) - afirmou ontem o procurador Matheus Baraldi Magnani.

O procurador participou das investigações do esquema de fraudes, também em importações, que resultaram na invasão da Daslu por agentes da Receita e da Polícia Federal (PF) em 13 de julho do ano passado. Na ocasião, a dona da Daslu, Eliana Tranchesi, ficou detida durante 12 horas na sede da PF de São Paulo. Seu irmão e sócio, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, amargou dez dias de prisão na PF.

Eliana e Albuquerque foram denunciados por Magnani e respondem a processo por crime de formação de quadrilha, descaminho (importações ilegais) e falsidade ideológica na Justiça Federal de Guarulhos.

Polícia flagrou conversas de diretores da Columbia

Ao importar mercadorias por meio de Santa Catarina, segundo a Receita, a Columbia tentou ocultar a Daslu como real compradora das mercadorias colando adesivos falsos às etiquetas da butique. Com isso, a Columbia recolheria IPI sobre R$1,7 milhão, ou R$170 mil. Segundo o procurador Magnani, somente com essa empreitada a Daslu deixaria de recolher R$330 mil em IPI. A Columbia nega o esquema.

Magnani contou que entre as escutas feitas pela polícia catarinense durante as investigações, flagrou conversas em que diretores da Columbia teriam afirmado que se tudo desse certo comemorariam com "champanha no Leopolldina", que vem a ser o restaurante da Daslu, em São Paulo.

- A ação, porém, foi mais audaciosa do que organizada - disse o procurador.