Título: Simon e Garotinho registram chapa; PMDB adia convenção
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 26/05/2006, O País, p. 5

Defensores da candidatura própria ameaçam ir à Justiça

BRASÍLIA. O senador gaúcho Pedro Simon registrou ontem sua candidatura à Presidência da República pelo PMDB, tendo como vice na chapa o ex-governador Anthony Garotinho. Mas uma decisão tomada pela executiva nacional do partido, no mesmo lugar e logo em seguida, praticamente inviabiliza a candidatura própria: por 11 votos a cinco, a executiva adiou para 29 de junho a convenção nacional para a oficialização ou não da candidatura própria.

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), tinha marcado a convenção para o dia 11 de junho. Mas a estratégia dos peemedebistas contrários à candidatura própria, ao adiar a convenção, é exatamente o de esvaziar o encontro, já que, no fim do prazo, os estados já terão feito suas convenções estaduais, estabelecendo alianças com partidos diversos (PT, PSDB e PFL, por exemplo). Diante do quadro consolidado nos estados, o PMDB não poderá ter candidato próprio a presidente por causa da verticalização.

E é justamente com base na regra da verticalização que os defensores da candidatura própria ameaçam ir à Justiça para tentar manter a convenção nacional no dia 11 de junho. O argumento será o de que, para atender à verticalização, a convenção nacional deve ser obrigatoriamente anterior às dos estados. Temer, um dos cinco votos contra a mudança da data, alertou que a decisão é prejudicial ao partido nos estados.

A reunião da executiva durou quase duas horas, com troca de agressões e insultos. A governadora do Rio, Rosinha Garotinho, acusou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e os governistas de estarem dando um golpe:

- A gente precisa parar com essa hipocrisia aqui dentro. O senador Ney Suassuna fala em voto democrático, mas isso aqui não passa de um golpe. Vocês querem se cacifar para ter cargos no governo federal.

Simon e Garotinho atacam Renan e Sarney

Ao deixar a reunião, o deputado Geddel Viera Lima (PMDB-BA), que é da ala de oposição ao governo Lula mas é contra a candidatura própria, comentou:

- Se alguém quiser continuar com esse papel ridículo, de candidatura própria, com 2% nas pesquisas, que continue - disse, referindo-se ao desempenho de Simon nas pesquisas de intenção de voto.

Antes da reunião, Simon e Garotinho não pouparam a ala governista do PMDB, que, segundo eles, só está preocupada em manter cargos e benesses do governo federal. Simon atacou o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP), dizendo que eles não são do velho MDB e que têm mais cargos que qualquer petista ou tendência petista.

- Renan, todo bacana, é uma ave que pula de galho em galho. Eles trocam interesses pessoais e estão vendendo a alma do PMDB. Um grupo que veio fazer negócio em nome do PMDB. Temos que saber quem é o PMDB. Ele estão botando ovo no ninho errado - protestou Simon.

Em discurso, Garotinho disse que desistiu da cabeça da chapa porque as resistências dos governistas eram fortes demais, mas continua defendendo a candidatura própria. E pediu o apoio de Simon para vencer o que chamou de neoliberalismo do PT e do PSDB.

- Os governistas não têm projeto para o país. Eles querem apoiar o governo Lula por causa de cargos e benesses, querem se manter no poder. Eu venho travando um debate sério com essas pessoas e se tornou difícil conviver com eles, por isso sugeri o nome de Simon. Não dá para mim, cheguei ao meu limite. É preciso que alguém assuma a bandeira - disse Garotinho.

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