Título: ESTUDO DO BANCO MUNDIAL MOSTRA FLUXO DE CAPITAIS RECORDE PARA EMERGENTES
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 30/05/2006, Economia, p. 23
No ano passado, países receberam US$491 bilhões em recursos privados
Os países em desenvolvimento tiveram em 2005 o terceiro ano consecutivo de crescimento nos fluxos de capital, que atingiram nível recorde no ano passado. Um extenso estudo publicado ontem pelo Banco Mundial sobre finanças globais e desenvolvimento mostra que, no ano passado, os emergentes receberam US$491 bilhões em capitais privados líquidos. Em 2004, por exemplo, os recursos públicos e privados somaram US$418 bilhões.
De acordo com o Banco Mundial, privatizações, fusões e aquisições, emissões de ações e também o refinanciamento do endividamento externo foram os responsáveis pelo saldo recorde de 2005. Na avaliação da instituição, o forte aumento nos fluxos para emergentes refletem a maior confiança do mundo nas perspectivas econômicas das nações em desenvolvimento.
Emissões de títulos e açõesquase dobraram na AL
O ano passado também foi marcado por um recorde nos empréstimos bancários e emissões de títulos da dívida, o que coincidiu com um crescimento de 6,4% das economias da região, mais que o dobro dos 2,8% de expansão econômica registrados pelas nações desenvolvidas.
Emissões de títulos e ações na América Latina e no Caribe quase dobraram: saíram de US$59 bilhões em 2004 para US$94 bilhões no ano passado. Ainda assim, a região atraiu muito menos recursos do que o Leste da Ásia e o Pacífico (US$138 bilhões) e do que a Europa e a Ásia Central (US$192 bilhões).
Aproveitando a farta liquidez global, as captações de recursos em moeda estrangeira no mercado internacional atingiram o patamar recorde de US$131 bilhões em 2005. "A comunidade de investidores estrangeiros agora aceita o mercado de dívida de emergentes como uma genuína classe de ativos que tem se tornado menos volátil", diz o relatório.
As emissões de títulos foram concentradas em dez países (entre eles Brasil, China e Índia) que responderam por 69% do total emitido no ano passado. A região da América Latina e do Caribe respondeu por 33% das emissões globais, com destaque para o Brasil, que foi o país mais ativo nas captações feitas no exterior.
O investimento direto estrangeiro líquido em emergentes chegou a US$237,5 bilhões em 2005, segundo estimativas do Banco Mundial. O volume ficou bem acima dos US$211,5 milhões de 2004 e dos US$168,8 bilhões registrados em 2000.
O Banco Mundial estima que o crescimento na América Latina e no Caribe se acelere em 2006, à medida que países como México e Brasil intensifiquem a redução de suas taxas de juros. No entanto, a partir de 2008, a expansão deve ser mais fraca, puxada por um crescimento menor da Argentina e da Venezuela.
Entre os avanços obtidos pelos emergentes, o Banco Mundial destaca a expansão das práticas de governança corporativa e maior supervisão dos sistemas financeiros, além do forte aumento nas reservas internacionais dos países, que reduziu sua vulnerabilidade.