Título: FLUXO DE RECURSOS REDUZ PRESSÃO SOBRE O DÓLAR
Autor: Diogo de Hollanda e Liane Thedim
Fonte: O Globo, 07/06/2006, Economia, p. 25

Moeda fecha em alta de 0,31%, depois de subir 1,33% durante o dia. Bolsas caem no mundo por temor de juros nos EUA

O mercado financeiro global teve ontem um novo dia de nervosismo, por causa do temor de novas altas de juros nos Estados Unidos. No Brasil, no entanto, o fluxo positivo de recursos, sobretudo de exportadores aproveitando a cotação mais alta, atenuou a pressão externa e o dólar, que pela manhã chegou a subir 1,33%, acabou fechando em alta de 0,31%, a R$2,258. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que caiu até 2,90% no início da tarde, encerrou em baixa de 0,50%, aos 36.558 pontos. O risco-Brasil ficou estável em 261 pontos centesimais, depois de avançar mais de 3% ao longo do dia.

No exterior, o Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu abaixo dos 11 mil pontos (10.957), mas fechou em baixa de 0,42% (11.002,14 pontos). O Nasdaq recuou 0,32%. Na Europa, o FTSE 100, de Londres, caiu 1,60%; o CAC, de Paris, recuou 2,40%; e o DAX, de Frankfurt, 2,11%. Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,81%.

Mais uma vez, os mercados refletiram o desconforto com um cenário econômico incerto. O principal temor é que os juros nos Estados Unidos subam mais do que o esperado e, com isso, esfriem exageradamente a economia americana, levando a um desaquecimento econômico mundial. Desde o dia 10 de maio, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumentou a taxa básica de juros para 5% ao ano e desencadeou uma onda de turbulência nos mercados mundiais, o dólar subiu 9,61% e o Ibovespa caiu 12,9%. Nações emergentes têm sofrido maior impacto porque investidores vêm reduzindo aplicações nesses mercados, considerados de maior risco, e aplicando em títulos americanos, tidos como de risco zero.

O Índice dos Mercados Emergentes do Morgan Stanley Capital International (MSCI), que monitora ações de 26 países em desenvolvimento, caiu ontem 2%, para 744,14 pontos, seu patamar mais baixo desde 18 de janeiro. O índice despencou 16% desde 8 de maio, quando alcançou sua maior alta histórica.

¿ Não houve nenhuma alteração na macroeconomia que justifique uma queda dessas no preço dos ativos ¿ afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Declarações de diretores do Fed aumentam nervosismo

Na última segunda-feira, o presidente do Fed, Ben Bernanke, causou sobressaltos ao manifestar preocupação com as pressões inflacionárias. Ontem, dois outros diretores da instituição contribuíram para a tensão no mercado. Primeiro, foi o diretor do Fed de Saint Louis, William Poole, que, em entrevista ao ¿Wall Street Journal¿, disse que o desaquecimento da economia pode não ser suficiente para reduzir a inflação. Em seguida, a diretora Susan Bies reiterou que o banco ainda não sabe quando interromperá o seu aperto monetário, iniciado em meados de 2004.

O economista Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management, acredita que a volatilidade deve continuar durante este mês. O comitê do Fed se reúne este mês para decidir se eleva novamente os juros:

¿ Até lá, seremos reféns dos dados americanos e, depois, da ata da reunião, que pode vir mais dura.

(*) Do Globo Online