Título: ENERGIA: USUÁRIO REPROVA CONCESSIONÁRIAS
Autor: Geralda Doca
Fonte: O Globo, 08/06/2006, Economia, p. 30

Avaliação é a 2ª pior de pesquisa da Aneel. Ampla e Light ficam abaixo da média

BRASÍLIA. A nota dada pelo consumidor aos serviços prestados pelas 64 concessionárias de energia elétrica é uma das piores dos últimos cinco anos. Segundo pesquisa divulgada ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Índice de Satisfação do Consumidor (Iasc) de 2005 atingiu a média de 61,38 pontos, numa escala de zero a 100. O valor só perdeu para 2004, quando ficou em 58,88 e foi contestado pelas empresas, que alegaram erros de metodologia.

¿ Há uma leve evolução para baixo na percepção do consumidor ¿ disse o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman.

Em 2000, quando o órgão regulador começou a fazer o acompanhamento, o índice de satisfação ficou em 62,81. No ano seguinte, subiu para 63,22 e, em 2002, para 64,51. Já em 2003 o Iasc caiu para 63,63 e, em 2004, para 58,88. Segundo Kelman, o que está pesando na avaliação negativa do consumidor é o preço da tarifa, encarecido principalmente por encargos e tributos como PIS e Cofins.

Ele frisou, contudo, que os indicadores técnicos aplicados pela Aneel para medir a qualidade do serviço melhoraram no período. Mas o consumidor não costuma levar em consideração o grau de investimentos das empresas na hora de avaliar a prestação do serviço.

A Aneel anunciou também ontem que o índice de satisfação sairá do cálculo do chamado ¿fator X¿ (repasse dos ganhos de produtividade para o consumidor). Portanto, não terá mais impacto no valor da tarifa. Apesar disso, Kelman frisou que a medida não visa a beneficiar as empresas. Hoje, dependendo da nota dada pelo consumidor, a concessionária é impedida de dar o reajuste que ela quer.

No lugar, a Aneel criará um índice para medir a eficiência das empresas no atendimento (tempo para atender o usuário e número de contas erradas). Esse índice será definido por amostragem, deverá entrar em vigor em 2007 e não terá influência nas tarifas. O objetivo, segundo a Aneel, é ajudar na fiscalização do setor e na fixação de punições às empresas que não atingirem o padrão mínimo aceito pelo órgão regulador.

Melhor distribuidora é de SP e a pior fica em Roraima

A empresa com a melhor avaliação foi a Companhia Jaguari de Energia (SP), com nota 77,61. A pior foi a Companhia Energética de Roraima (44,10). Já Light e Ampla ficaram com 60,39 e 59,54, respectivamente, notas abaixo da média. A pesquisa ouviu 19.220 clientes residenciais em 473 municípios.