Título: BOVESPA E DÓLAR SOBEM EM DIA INSTÁVEL
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 09/06/2006, Economia, p. 31

Moeda tem alta de 1,38% e Bolsa, de 0,49%. Risco-Brasil fica em 263 pontos

O dia no mercado financeiro ontem foi de forte oscilação e novamente ditado pelo cenário externo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou em queda desde a abertura, mas passou a subir por volta das 16h, acompanhando a Bolsa de Valores de Nova York, e encerrou em alta de 0,49% (35.437 pontos). O Dow Jones, principal índice de Nova York, caiu 0,18% e o Nikkei, da Bolsa de Tóquio, recuou 3,07%. O dólar comercial fechou em alta de 1,38%, vendido a R$2,272. O risco-Brasil subiu 0,38%, para 263 pontos centesimais.

Segundo o gerente de câmbio da corretora Novação, José Roberto Carreira, o volume de negócios interbancários foi pequeno: pouco antes das 16h30m, estava em US$780 milhões, bem abaixo da faixa média para este horário, entre US$1,2 bilhão e US$1,5 bilhão.

¿ Está todo mundo trabalhando de olho no mercado lá fora ¿ comentou ele.

Até a recuperação do fim da tarde, o dia vinha sendo marcado por fortes quedas no mercado mundial. Na Europa, as principais bolsas fecharam com perdas superiores a 2%, com destaque para Frankfurt (-2,9%) e Londres (-2,51%). A queda foi reflexo da elevação dos juros da zona do euro em 0,25 ponto percentual, pelo Banco Central Europeu, para 2,75% ao ano. Foi o terceiro aumento desde dezembro de 2005.

Economista prevê dólar a R$2,15 no fim do ano

Desde 10 de maio, quando o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou os juros para 5% ao ano sem descartar novas altas, os mercados de todo o mundo vivem um período de turbulência. Nos Estados Unidos, a apreensão com a taxa básica foi reforçada ontem com declarações do diretor do conselho do Fed, Donald Kohn, que foi nomeado para a vice-presidência da instituição e passou por uma sabatina no Comitê Bancário do Senado. Na audiência, ele disse que a alta de preços nos Estados Unidos levantou uma ¿bandeira de alerta¿ sobre a inflação, exigindo atenção do Fed. Hoje o presidente do Fed, Ben Bernanke, fará uma apresentação no Massachussets Institute of Technology.

Para a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, por ser um mercado emergente, o Brasil registra oscilações maiores do que países desenvolvidos, mas os bons fundamentos da economia o protegem de uma contaminação mais drástica.

¿ Ninguém cogita uma elevação do dólar acima de R$3, R$3,50, como ocorreu há quatro anos. O mercado trabalha com um ¿stress temporário¿ ¿ comenta a economista, que prevê para o fim do ano um dólar a R$2,15.