Título: CENÁRIO INTERNACIONAL NÃO É DE CRISE, DIZ BC
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 09/06/2006, Economia, p. 31

Em ata divulgada ontem, Copom afirma que se mantém atento e que inflação está sob controle

BRASÍLIA. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, veio mais branda do que especialistas esperavam diante do cenário externo turbulento nas últimas semanas. O Banco Central (BC) indicou que não avalia o momento como uma crise, apesar de destacar que está atento. Ressaltou que a inflação está sob controle e o país tem condições de absorver esses impactos. Mas deixou claro que, caso a instabilidade persista, agirá para conter reflexos ¿ o que significaria puxar o freio de mão sobre a queda de juros.

¿Essa instabilidade não configura um quadro de crise, tanto devido ao caráter potencialmente transitório de suas causas principais, quanto graças aos sólidos fundamentos da economia brasileira¿, diz a ata, que explica a decisão de reduzir, na semana passada, a taxa básica de juro (Selic) em meio ponto percentual.

Para o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o movimento foi acertado, porque não alimentou a turbulência interna e jogou ¿um pouco mais de otimismo¿ no mercado. Boa parte dos especialistas continua apostando em reduções na Selic ¿ hoje em 15,25% ao ano ¿ na próxima reunião do Copom, em 18 e 19 de julho. As apostas variam de 0,25 a 0,50 ponto percentual.

Reunião de Meirelles e diretores vê novo cenário

Também ontem, diretores e o presidente do BC, Henrique Meirelles, participaram da reunião trimestral com economistas do mercado. Uma fonte que esteve presente ao encontro disse que membros da equipe econômica reconheceram que o cenário externo mudou, mas eles não acreditam em inversão da tendência de crescimento mundial.

O Copom reafirmou que continua sem conseguir medir com clareza o efeito dos cortes de juros ¿ 4,50 pontos percentuais desde setembro. Destacou a alta da cotação do petróleo e que pode gerar reflexos nos preços de derivados e na expectativa de inflação.

O BC manteve a previsão de reajuste zero para gasolina e gás de botijão. Quanto aos preços da telefonia fixa, ajustou a projeção de 3,1% para 2,6%. Os da eletricidades passaram de 3,6% para 3,7%.