Título: INFLAÇÃO PELO IPCA, DE 4,23%, FICA ABAIXO DA META
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 09/06/2006, Economia, p. 31
Índice acumulado em 12 meses é o menor desde 1999. Álcool faz taxa de maio cair pela metade, para 0,10%
O álcool deu um alívio ao bolso dos consumidores no mês passado e, por isso, reduziu à metade o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): a taxa sai de 0,21% em abril para 0,10% em maio. Esse recuo empurrou para baixo o IPCA acumulado em 12 meses, que ficou em 4,23% ¿ inferior à meta fixada pelo governo para 2006 (4,5%) e o menor resultado desde junho de 1999. No ano, o índice acumula 1,75%.
¿ Desde julho de 2005, o álcool faz pressão no bolso do consumidor e, por conseqüência, na inflação. O período de alta fez com que a demanda se reduzisse. A queda do consumo aliada à safra da cana-de-açúcar fez o álcool cair de preço (-11,06%). No ano, porém, há alta de 13,35% ¿ disse a economista Eulina Nunes, do IBGE.
Além do combustível, outros itens contribuíram para a desaceleração do IPCA. Remédios (1,41%), vestuário (0,90%), energia elétrica (0,24%) e condomínio (0,74%) tiveram variações abaixo das de abril, levando a taxa de maio para o menor nível desde junho de 2005.
Taxa acumulada de 12 meses pode subir no 2º semestre
Eulina acrescenta, no entanto, que alguns itens encareceram em maio. O gás de botijão, por exemplo, teve alta de 1,26%. É o que chamam de efeito Evo Morales, lembra a economista:
¿ As notícias da Bolívia preocupam o consumidor, aumentando a demanda pelo produto. E os preços subiram levando a uma alta de 4,06% no ano. Em 2005, o aumento fora de 0,25%.
Os alimentos, por sua vez, apresentaram um ligeiro avanço: de -0,27% para -0,03%. O frango puxou os preços, com variação de 8,42%. Também encareceram carnes (1,17%), cenoura (8,62%) e alho (5,39%).
¿ Não há ameaça dos alimentos. A safra deve ser 8% maior do que a do ano passado, com 122 milhões de toneladas de cereais ¿ disse Eulina.
E são positivas as expectativas para junho. Segundo Eulina, o álcool ainda deve manter sua trajetória de queda no mês que vem. E também devem apresentar reduções passagens aéreas, tarifa de ônibus urbano em Recife e gás encanado em São Paulo.
¿ Não há pressão no momento. Mas não se pode esquecer que o dólar é importante para a economia brasileira: dólar baixo favorece inflação baixa. Caso haja subida, poderá haver pressão sobre os preços.
Segundo Maria Andréa Parente, economista do Ipea, não se discute mais se o país vai alcançar a meta de inflação, mas sim de quanto será essa folga:
¿ Com a inflação sob controle, o Banco Central ainda deverá continuar com os cortes. E mesmo com as turbulências externas.
Analista diz que há espaço para novo corte de juros
Para Solange Srour, economista da Mellon Global Investments, as questões externas vão determinar o corte ¿ de 0,50 ou 0,25 ponto percentual ¿ na Selic (15,25% ao ano). A próxima reunião do Copom será em 18 e 19 julho.
¿ Não há pressões da inflação. Para o IPCA-15, esperamos até deflação. E no fechado de junho, de 0,10% a 0,15%, numa revisão à previsões de 0,20% e 0,25%. Vamosfechar o ano abaixo da meta.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC, lembra que o IPCA acumulado em 12 meses não deve entrar numa trajetória declinante até o fim do ano.
¿ No segundo semestre, o câmbio pode se valorizar, haver reajuste de combustível e os produtos agrícolas podem subir.