Título: MORTE DE TERRORISTA DERRUBA PREÇOS DO PETRÓLEO
Autor:
Fonte: O Globo, 09/06/2006, Economia, p. 33

Mercado respira com falecimento de líder da al-Qaeda no Iraque: barril cai 0,66% em NY e 0,20% em Londres

LONDRES. Os preços do petróleo caíram ontem abaixo do patamar dos US$70 por barril com a notícia de que um ataque aéreo da Força Aérea dos EUA resultou na morte de Abu Musab al-Zarqawi, principal líder da al-Qaeda no Iraque. Zarqawi era considerado a mente por trás dos atentados que vêm castigando o país, inclusive setores petrolíferos, e sua morte trouxe a esperança de que os grupos responsáveis por esses ataques, enfim, comecem a ser desarticulados.

Além disso, a disposição demonstrada pelo Irã de negociar com os países que se opõem a seu programa nuclear, para ¿esclarecer mal-entendidos¿, foi um fator considerado positivo pelos operadores.

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, onde estão as principais reservas de petróleo do mundo, tem sido um fator de pressão sobre os preços da commodity, cuja cotação atingiu o nível recorde de US$75,35 o barril em abril. O mercado teme que ocorra desabastecimento, num período em que a demanda pelo produto vem superando a oferta.

Uma terceira razão apontada pelos operadores para a queda dos preços ontem é justamente o estrago que a alta do barril começa a fazer na economia mundial, sobretudo a americana, cuja inflação vem levando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a elevar as taxas de juros. Este movimento, dizem os analistas, pode levar a uma queda acentuada no consumo de petróleo.

Analistas advertem que ataques devem continuar

Na Bolsa Intercontinental de Futuros, em Londres, o barril do petróleo do tipo Brent (referência internacional) recuou 0,20%, para US$69,05. Já na Bolsa Mercantil de Nova York, o tipo leve americano (WTI) caiu 0,66%, para US$70,35 o barril. Durante a sessão, no entanto, chegou a ser cotado a US$69,10, o menor patamar desde 22 de maio.

O caos no Iraque e o temor de que o Irã ¿ quarto maior exportador mundial de petróleo ¿ interrompa seu fornecimento devido à briga com o Ocidente impulsionaram o movimento de compra, que levou os preços do petróleo a patamares históricos. Foi aí que os sinais de alívio vindos desses dois países acalmaram os mercados.

Analistas, porém, advertem que há um certo risco para o mercado concentrar-se demasiadamente na morte de Zarqawi, responsável, entre outros, pelo frustrado ataque suicida contra um importante terminal petrolífero em Basra, em abril de 2005. É que a al-Qaeda no Iraque jurou ontem vingança pela morte de seu líder.

¿ O fim de Zarqawi não será o fim das ameaças sobre as exportações de petróleo do Iraque ¿ disse Mustafa Alani, especialista em Iraque no Conselho de Investigação do Golfo Pérsico, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

John Kemp, analista de petróleo da Sempra, concorda que o setor petrolífero do Iraque, afetado por décadas de guerras, sanções e poucos investimentos, terá poucos benefícios pela morte do líder da al-Qaeda no Iraque:

¿ O fim de Zarqawi é uma publicidade de um grande golpe contra a organização (al-Qaeda), mas não acredito que isto terá muito impacto na realidade.

Deborah White, analista da SGCIB para o setor, disse que a queda dos preços ontem se deveu quase completamente à morte de Zarqawi.

EUA MATAM `PRÍNCIPE DA AL-QAEDA¿, na página 37