Título: SEGURANÇA NAS TRANSAÇÕES É PRINCIPAL TEMOR
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 11/06/2006, Economia, p. 37
Vantagem para bancos é custo 20% menor em relação às agências
SÃO PAULO. O Bradesco e o Itaú, que oferecem atendimento por meio de uma tecnologia conhecida como WAP (sigla em inglês para protocolo para aplicações sem fio, que cria um ambiente semelhante ao da web), também estudam mudanças para aprimorar seu serviço. Já o HSBC marcou para o início do segundo semestre o lançamento de uma nova solução de mobile banking. A idéia é ir além das operações bancárias tradicionais.
¿ Gradualmente, queremos agregar serviços de vídeo e correio de voz ¿ afirma o executivo-sênior em Novas Tecnologias do HSBC, Arno Brandes.
Cômodo para os clientes, o mobile banking representa para os bancos mais uma oportunidade de reduzir seus custos fixos. O custo de uma operação eletrônica equivale a apenas 20% da realizada no caixa. Hoje, cerca de 80% das transações bancárias são eletrônicas, contra 50% há cinco anos.
¿ Quanto menos o cliente for à agência, melhor para os bancos ¿ diz o consultor Erivelto Rodrigues, da Austin Rating.
Quando os caixas eletrônicos e o internet banking chegaram ao país, muitos clientes torceram o nariz, e o serviço só pegou depois de muito tempo. Com o mobile banking, deve ser diferente. Para especialistas, o serviço vai se popularizar até o fim de 2007. Não é difícil entender a razão: no Brasil há cerca de 90 milhões de celulares, contra 32 milhões de computadores.
Executivo do HSBC diz que controle com celular é maior
Mas, com a novidade, surgem também preocupações sobre segurança. Os piratas virtuais devem voltar sua atenção da internet para o celular.
¿ É natural que essas quadrilhas migrem para tentar burlar a vigilância e segurança nas operações via celular ¿ diz o delegado Cristiano Barbosa Sampaio, da Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal.
Por ora, o risco é pequeno. Além de restritos a aparelhos sofisticados (como os smartphones, que rodam sistemas como o Windows), os vírus de celular não têm a mesma força daqueles da internet. Mas os bancos sabem que isso não vai durar e tentam se proteger. O BB usa um sistema criptográfico e tecnologia que impede que os dados digitados fiquem na memória do celular. No HSBC, o gasto com segurança teve a maior fatia dos investimentos: entre 20% e 30%. O banco também estuda o uso de tecnologias como o token (aparelho que exibe senhas que mudam em questão de segundos).
Brandes, do HSBC, lembra que o usuário tem no celular mais controle que no ambiente de internet banking.
¿ O computador de casa é usado por toda a família. O celular, não. Cada um tem o seu. (Aguinaldo Novo)
ATAQUES VIRTUAIS CRESCERAM 446,7%, na página 38