Título: NO PROGRAMA, BOLSA FAMÍLIA E CORTE DE GASTOS
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: O Globo, 12/06/2006, O País, p. 4

Plataforma de Alckmin prevê mais participação do governo na segurança e mudanças na política externa

BRASÍLIA. O programa de governo do PSDB, apresentado ontem na convenção do partido que homologou a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República, prevê a manutenção de projetos sociais do governo Lula, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O documento, entretanto, diz que ambas iniciativas foram criadas pelo governo Fernando Henrique. A proposta ainda reforça o papel da iniciativa privada na economia, promete redução de gastos públicos e de impostos, mas não cita projetos como as reformas trabalhista e previdenciária.

Em seu discurso na convenção de ontem em Belo Horizonte, o candidato tucano à presidência salientou o papel da eficiência administrativa em seu eventual governo.

¿ Hoje, o Brasil é escravo do governo, que gasta muito e gasta mal. Vamos consertá-lo para que sirva ao povo, e não o inverso. Estou determinado a cortar despesas supérfluas, reduzir o peso da máquina pública inútil, definir prioridades na alocação dos recursos, fazer render o dinheiro da sociedade. E à medida que o gasto for racionalizado, os impostos vão ser mais reduzidos, contribuindo para estimular ainda mais o crescimento, abrindo espaço para mais investimento e mais crescimento ¿ afirmou Alckmin.

Contra ¿cabides de emprego¿

O ex-governador de São Paulo disse que Lula criou 12 ministérios e inchou a máquina estatal com amigos do partido derrotados nas urnas, aparelhando o serviço público com companheiros cuja única qualificação era o uso do distintivo partidário.

¿ Vamos cortar esses ministérios criados à toa, cabides de emprego. Parece pouco, mas não é. Não é pouco em volume de dinheiro e não é pouco, principalmente, como exemplo.

O documento tucano, apresentado ontem em Belo Horizonte, prevê ainda uma atuação mais forte do governo federal na segurança pública, a alteração do sistema de licenciamento ambiental e indica que um futuro governo do PSDB vai propor uma reforma eleitoral que prevê o voto distrital em cidades maiores, para fortalecer a representação parlamentar. Alckmin disse ainda que manterá as políticas sociais.

¿ Junto com a economia, nossa prioridade será a educação. Não há país que tenha progredido sem investimento e esforço enormes em educação. Cada vez mais, a escola deve ocupar um papel central na vida, não só dos estudantes, mas de suas famílias e da comunidade, articulada com as políticas de trabalho, saúde, segurança, cultura e lazer.

Ele lembrou que Lula herdou uma ampla rede de proteção social, que em 2002, segundo o candidato, se estendia a mais de 38 milhões de brasileiros. Alckmin disse que sua política externa não vai contra a política Sul-Sul (países em desenvolvimento) adotada por Lula, mas diz que o mais natural é cuidar dos interesses com os países desenvolvidos.

¿ O Brasil está no meio do caminho entre pobres e ricos, entre subdesenvolvidos e desenvolvidos. Esta deve ser a ótica da nossa política externa. De um lado, solidariedade e parceria com nossos irmãos em desenvolvimento. De outro, temos interesses e responsabilidades que nos aproximam do mundo desenvolvido, que devemos assumir plenamente.

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