Título: ORGANIZAÇÃO ALERTA PARA RISCO DE GUERRA CIVIL
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Fonte: O Globo, 14/06/2006, O Mundo, p. 31
Olmert aprova a transferência de armas leves da Jordânia para reforçar a guarda de Abbas
JERUSALÉM. Os territórios palestinos estão à beira de uma guerra civil e um único ato de violência, como o assassinato de um líder, pode deflagrar o caos, afirmou ontem um centro de estudos. Para o Grupo Crise Internacional, a determinação do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a realizar um referendo em 26 de julho que implicitamente reconhece o Estado de Israel pode gerar mais disputas com o Hamas, grupo radical agora no governo.
¿A situação é tal que um passo trágico, como o assassinato de um alto líder do Hamas ou do Fatah (movimento de Abbas) pode levar ao caos geral¿, diz um relatório do grupo baseado em Bruxelas, cujo objetivo é prevenir conflitos.
Membros do Fatah incendiaram o escritório do premier palestino, Ismail Haniyeh (do Hamas), na Cisjordânia na segunda-feira, num dia de intensos combates entre os grupos. Os confrontos na Faixa de Gaza deixaram 20 pessoas mortas no mês passado. ¿Na sangrenta guerra pelo poder, ambos estão mobilizando milícias, estocando armas e recorrendo a assassinatos¿, diz o relatório.
No centro das tensões, está o referendo. O Hamas, que prega a destruição de Israel, disse que a proposta é um mecanismo para tirá-lo do poder.
¿ Vagarosamente caminhamos para uma guerra civil ¿ disse Mohammad Dahlan, aliado de Abbas, no Parlamento.
Um terço dos recém-nascidos doentes morre em Gaza
O relatório diz que o Hamas deve mudar sua postura em relação a Israel e critica a política do Quarteto ¿ EUA, União Européia, ONU e Rússia ¿ de apoio a Abbas, afirmando que pode acirrar disputas internas.
Os EUA, a União Européia e Israel cortaram a ajuda financeira ao governo palestino após a vitória do Hamas, agravando a crise econômica. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou ontem que um em cada três recém-nascidos doentes nos hospitais de Gaza morre devido a tratamentos insuficientes e falta de remédios.
Ontem, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, aprovou a transferência de armas leves da Jordânia para a ANP, para reforçar as forças de segurança controladas por Abbas diante das milícias do Hamas. Cerca de 375 rifles já chegaram a uma passagem entre Jordânia e Cisjordânia. E segundo fontes palestinas, Egito e Jordânia vão fornecer armas e treinamento para a guarda presidencial.