Título: TUCANOS E PFL BUSCAM SOLUÇÃO PARA IMPASSE EM NOVE ESTADOS E NO DF
Autor: Adriana Vasconcelos
Fonte: O Globo, 15/06/2006, O País, p. 4

Campanha de Alckmin cria coordenação para tratar das divergências

BRASÍLIA. A 15 dias do fim do prazo para a realização das convenções partidárias, as cúpulas do PSDB e do PFL ainda enfrentam dificuldades na negociação de alianças em pelo menos nove estados (Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Ceará) e no Distrito Federal. Na tentativa de reduzir as divergências regionais entre os dois partidos, o comando da campanha tucana decidiu ontem criar uma coordenação para cuidar especificamente desses problemas.

Até agora, o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, já garantiu acordo com os pefelistas em dez estados, mas terá de administrar palanques duplos em Alagoas, Amazonas, Rio de Janeiro, Rondônia, Tocantins e Goiás.

Goiás é o mais novo ponto de atrito entre pefelistas e tucanos. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), aprovou ontem uma intervenção no estado para garantir que o partido lance a candidatura do senador Demóstenes Torres ao governo. Parte dos pefelistas goianos preferia acompanhar os passos do ex-governador tucano Marconi Perillo, que apóia a reeleição de seu vice, Alcides Rodrigues, do PP.

Apesar de problemas como esse, Bornhausen disse que está otimista e afirmou que se esforçará até o último minuto para fechar alianças com o PSDB:

¿ Minha prioridade continua sendo ganhar a eleição nacional. Por isso vou lutar até o fim para fecharmos acordo no maior número de estados.

No Maranhão, Alckmin corre o risco de ficar sem apoio e sem palanque. A candidata do PFL ao governo, Roseana Sarney, pode seguir os passos do pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), e apoiar informalmente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PSDB maranhense está fechado com o pedetista Jackson Lago mas, como o PDT terá Cristovam Buarque na disputa presidencial, os pedetistas não poderão dar palanque para o tucano no Maranhão.

Dos dez estados onde as negociações ainda estão em curso, as maiores chances de acordo são no Piauí, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Ceará. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), passou o dia tentando resolver a situação no Piauí, onde o PFL ameaça lançar o senador Heráclito Fortes ao governo se o candidato tucano Firmino Filho não aceitar compor chapa com o ex-governador Hugo Napoleão para o Senado.

Embora o PFL formalize hoje a candidatura do deputado José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal, com o senador Paulo Octávio de vice, Bornhausen ainda acredita num acordo local com o PSDB. Os pefelistas esperam que a tucana Maria Abadia desista de disputar a reeleição, caso não consiga apoio formal do ex-governador Joaquim Roriz, do PMDB. Mas é provável que Alckmin tenha dois palanques no Distrito Federal.