Título: FLUXO DE RECURSOS FAZ DÓLAR CAIR 0,74%
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 15/06/2006, Economia, p. 20

Bolsa chega a recuar mais de 2,3% durante o dia, mas fecha em alta de 0,29%

O elevado ingresso de recursos no país fez o dólar cair 0,74% ontem, cotado a R$2,281, depois de dois dias seguidos de alta. O cenário externo levemente mais favorável também contribuiu para o movimento no câmbio. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com ligeira alta de 0,29% (32.941 pontos), depois de cair mais de 2,3% ao longo do dia. Já o risco-Brasil, calculado pelo banco americano JP Morgan, despencou 5,45%, para 260 pontos centesimais.

A volatilidade predominou nos mercados financeiros mundiais, com as atenções dos investidores voltadas para os dados da inflação nos EUA e que poderão levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a elevar os juros, no fim deste mês. Os preços ao consumidor avançaram 0,4% em maio, depois de uma alta de 0,6% em abril. Mas o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3%, ao passo que economistas esperavam alta de 0,2%. A previsão é de que a taxa suba em 0,25 ponto percentual, para 5,25% ao ano.

Contratos de juros futuros encerram em queda

As bolsas no exterior reagiram com menos tensão ao anúncio. Nos EUA, o Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 1,03% e o Nasdaq, 0,65%. No Japão, o Nikkei fechou em alta de 1,61% e, na Alemanha, o DAX subiu 0,26%.

¿ O foco, agora, está nos próximos índices de inflação que irão definir se o Fed vai mesmo, ou não, aprofundar o desaquecimento da economia americana ¿ disse o economista Silvio Campos Neto, do Banco Schahin.

Já o economista-chefe da Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto, acredita que a confirmação das taxas de inflação dentro dos níveis esperados, com pequenas exceções nos núcleos, é positiva para o mercado:

¿ Talvez estejamos assistindo a uma acomodação nos índices, o que pode ser um bom sinal para a decisão do Fed, dias 28 e 29, grande foco das atenções nas últimas semanas ¿ analisa.

Em relação ao dólar, o presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), Edmilson Lyra, não acredita em novas altas, pelo menos, a curto e médio prazos.

¿ Podem acontecer algumas variações, mas não vejo sustentabilidade para grandes altas. Existe, ainda, um fluxo favorável de recursos e, apesar de estarmos em um ano eleitoral, não acredito que possamos repetir o mesmo quadro de 2002, quando o dólar estava em alta acentuada ¿ disse.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), as taxas da maioria dos contratos que projetam os juros nos próximos meses fecharam em queda. O Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2007 recuou para 15,04% ao ano, com variação negativa de 0,40%. Os contratos DI para julho de 2007 recuaram 0,39%, para 15,35% ao ano. Os de janeiro de 2008, de maior liquidez e mais negociados, terminaram a 15,88% anuais, com queda de 0,63%.

(*) Com agências internacionais