Título: NOVAS REBELIÕES EM SÃO PAULO
Autor: Luiz Miguel Kawaguti
Fonte: O Globo, 17/06/2006, O País, p. 3

Presos fazem pelo menos 19 reféns simultaneamente em três presídios do interior

Pelo menos 19 pessoas foram feitas reféns em três rebeliões ocorridas na tarde de ontem simultaneamente em três presídios do interior de São Paulo. Os motins nas penitenciárias de Araraquara, Mirandópolis e Itirapina foram os primeiros enfrentados pelo novo secretário de Administração Penitenciária (SAP), Antônio Ferreira Pinto, desde sua posse, em 31 de maio, e são as primeiras depois da megarrebelião comandada de dentro dos presídios pela principal facção criminosa de São Paulo entre 12 e 20 de maio.

Segundo a SAP, as rebeliões começaram por volta das 13h30m de ontem. O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) suspeitava que uma nova megarrebelião estava prestes a ocorrer. A SAP descartou a hipótese. Durante a semana, redações de jornais em São Paulo passaram a receber informações, por e-mail, que esta semana os presos fariam nova megarrebelião para protestar contra a superlotação dos presídios paulistas.

De acordo com o presidente do Sifuspesp, João Rinaldo Machado, em Araraquara, onde dez agentes penitenciários foram feitos reféns, a rebelião começou após uma tentativa de fuga. O sindicato e a SAP não tinham informações até a tarde de ontem sobre as causas das outras rebeliões. Na P1 de Mirandópolis, seis pessoas foram feitas reféns e na de Itirapina, três. A SAP também não confirmou o número de agentes reféns.

Agente teria sido baleado no presídio de Araraquara

Segundo João Rinaldo, em Araraquara um agente penitenciário teria sido baleado no pé e barricadas teriam sido feitas pelos amotinados no interior do presídio. A Polícia Militar foi chamada para conter os presos e chegou a usar gás de pimenta para dispersar os rebelados, que estavam fora das celas. O diretor do presídio, Roberto Medina, disse que por volta das 15h a situação estava complicada e que o tumulto era grande.

Na Penitenciária 2 de Itirapina, o motim foi encerrado por volta das 20h30m. À tarde, moradores vizinhos ficaram assustados ao ouvir tiros no interior da penitenciária. O diretor da instituição foi chamado para negociar com os presos rebelados. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, um preso morreu na rebelião devido a uma rixa entre os presos.

Em Mirandópolis, os reféns foram liberados por volta das 18h. Cinco dos reféns teriam sido feridos no confronto. Mesmo libertando os reféns, os detentos decidiram continuar a rebelião. No fim da tarde, a Tropa de Choque da PM invadiu o presídio e o motim foi encerrado. De acordo com a PM, os presos destruíram algumas celas e devem ser levados para outras, na própria unidade.

Todas as penitenciárias rebeladas estavam superlotadas. Araraquara, projetada para 750 detentos, abrigava 1.543. Mirandópolis, com 804 lugares, mantinha 1.203 presos. O Presídio de Itirapina tinha capacidade para 852 pessoas, mas abrigava 1.363 ontem.

* do Diário de S. Paulo