Título: BOVESPA DEIXA DE LADO TEMOR COM INFLAÇÃO DOS EUA E TEM ALTA DE 4,42%
Autor: Rui Pizarro
Fonte: O Globo, 17/06/2006, Economia, p. 24
Dólar recua 1,58%, a R$2,245, em dia de poucos negócios devido a feriado
RIO e NOVA YORK. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou ontem em alta acentuada de 4,42%, a 34.399 pontos e com movimento financeiro de R$2,180 bilhões. Em uma sexta-feira espremida entre um feriado e o fim de semana, a Bovespa não foi afetada pela preocupação dos mercados americanos com a inflação e uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que deixou o Dow Jones estável e fez o Nasdaq recuar 0,66%.
Já o dólar fechou em baixa de 1,58%, em uma sessão de poucos negócios, cotado a R$2,245 para venda. Na semana, a moeda americana acumula queda de 0,71%. O risco-Brasil, calculado pelo JP Morgan, subiu 0,79%, para 255 pontos centesimais.
Discurso de Bernanke na véspera tranqüiliza mercados
A semana foi marcada por volatilidade devido aos juros nos EUA e à estréia da seleção brasileira na Copa. Mas ontem houve um alívio, segundo Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Lopes Filho & Associados:
¿ Dois fatores influenciam positivamente o mercado: o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, na quinta-feira, que tranqüilizou os mercados em relação à inflação americana, e a divulgação do déficit em conta corrente americano, que ficou abaixo do esperado.
O déficit em conta corrente dos EUA caiu 6,5% no primeiro trimestre, para US$208,7 bilhões. Ainda assim, é o segundo maior resultado da História.
Com relação à inflação, o diretor do Fed Donald Kohn admitiu ontem que as expectativas ¿ficaram um pouco desorganizadas¿ nos últimos meses, mas disse que o BC americano tentará estabilizá-las.
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), os juros projetados nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2008, os mais negociados, ficaram em 15,66% ao ano, contra 15,90% na quarta-feira. O DI de agosto de 2006, que embute as expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária de julho, recuou 0,07%, para 15,09%.
(*) Com agências internacionais