Título: Aos poucos, as companhias já se beneficiam
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 18/06/2006, Economia, p. 31
Empresa de produtos dentários alongou débitos por 10 anos
BRASÍLIA. Algumas empresas começam a ser salvas com a nova Lei de Falências. Um dos casos mais emblemáticos é a Dental Gaúcho, rede que vende produtos para dentistas e que foi fundada em 1944. A firma tinha uma dívida de cerca de R$25 milhões e enfrentava dificuldades para sair da crise pelo antigo regime de concordata ¿ que a obrigava a quitar o débito em dois anos. A empresa fez uma recuperação judicial, determinou o pagamento de suas dívidas em até dez anos e conseguiu elaborar um plano factível de ser cumprido.
¿ Se não fosse essa lei, a sobrevivência da empresa estaria seriamente arriscada. Mas devemos lembrar que na nova lei é muito importante a transparência da empresa em dificuldades, além de negociar fortemente e ter bom conhecimento sobre os novos mecanismos da legislação ¿ afirmou Marcelo Tommasi, sócio da Terco Grant Thornton, que atuou na recuperação da Dental Gaúcho.
Embora a lei não tenha ajudado a Varig a sair da crise, a companhia já foi beneficiada ao aderir à nova legislação em meados de 2005. Evitou o arresto de aviões e teve a dívida congelada por várias meses até a aprovação do plano de recuperação. A inclusão das companhias aéreas na lei ¿ até então elas não podiam pedir concordata ¿ foi a solução encontrada pelo governo para salvar a Varig.
No entanto, especialistas dizem que o fato de ser uma concessionária de serviço público dificulta a recuperação da Varig. (H.G.B e Geralda Doca)