Título: TUCANOS DESQUALIFICAM ANÁLISE DE TARSO
Autor: Soraya Aggege
Fonte: O Globo, 22/06/2006, O País, p. 4
Lembro quando ele pedia o impeachment de FH por nada¿, diz Tasso
BRASÍLIA. O candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, classificou ontem de descabida a análise reservada feita pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, de que a oposição não medirá esforços para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num texto encaminhado a integrantes do governo, militantes petistas e intelectuais de esquerda, ao qual o GLOBO teve acesso, Tarso afirma que a oposição, ¿elitista e conservadora¿, não terá receio de deslegitimar o processo eleitoral se isso for necessário para derrotar Lula. Para Alckmin, isso é descrer no processo democrático.
¿ Não vejo qualquer razão para isso. Vai haver uma eleição democrática. Estamos consolidando a democracia brasileira. Se alguém deveria fazer reparos (ao processo), somos nós da oposição em razão da utilização da máquina pública. Não há razão alguma para isso (deslegitimar a eleição). É uma coisa totalmente descabida ¿ rebateu Alckmin, que se negou a comentar o fato de o ministro petista ter classificado a oposição de "conservadora e elitista:
¿ Eu não vou discutir com o Tarso Genro.
Líderes da oposição também reagiram à análise feita pelo ministro palaciano. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), comparou a atitude de Tarso ao dos ditadores António de Oliveira Salazar, de Portugal, e Francisco Franco, da Espanha.
¿ Primeiro, é bom não contar com vitória antecipada. Só Salazar e Franco costumavam fazer isso. Quem desqualifica o governo é Lula. Ou corrupção não desqualifica o governo? Ou fingimento não desqualifica governo? Se tem alguém que desqualifica a política hoje no Brasil é o presidente Lula. É engraçado que o ministro tem um discurso para dentro do governo e outro para fora. Conosco, ele usa a linguagem da concórdia, e quando fala para dentro do governo usa a arrogância. É preciso que ele defina qual é a sua ¿ cobrou Arthur Virgílio, referindo-se à proposta de diálogo com a oposição defendida por Tarso.
O texto reservado foi encaminhado por correio eletrônico por Tarso Genro no último dia 17 de junho. Nele o ministro faz um alerta sobre o comportamento da oposição e afirma que os "ataques pessoais" feitos contra Lula demonstram que a candidatura de Alckmin não tem uma direção definida e nem resolveu o enigma de como o presidente Lula sobreviveu ao que chama de cerco político de mais de um ano.
Para o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), a análise de Tarso Genro é desastrosa, pois mostra uma desconfiança explícita na Justiça Eleitoral. Segundo ele, as críticas só aumentaram depois das denúncias de corrupção envolvendo o governo:
¿ Essa é uma tese desastrosa. Nós confiamos que o TSE não vai deixar que haja a deslegitimação das eleições. O TSE vai se encarregar de dar o tom de um pleito legítimo.
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), foi ainda mais crítico em relação a Tarso Genro, e lembrou que, na oposição, o hoje ministro pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
¿ Só me lembro do Tarso Genro quando ainda não havia aparecido o Delúbio e ele pedia o impeachment de Fernando Henrique por nada, depois de dois anos de governo ¿ reagiu Tasso.