Título: TURBULÊNCIA DERRUBA INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS
Autor: Patricia Duarte
Fonte: O Globo, 22/06/2006, Economia, p. 27

Volatilidade dos mercados em junho deve reduzir fluxo de recursos para o setor produtivo brasileiro em 68%

BRASÍLIA. A volatilidade observada nas últimas semanas nos mercados internacionais afetou este mês o balanço de pagamentos brasileiro, que registra todas as transações do Brasil com o exterior, inclusive as financeiras. Um dos principais impactos negativos está no volume de investimentos estrangeiros diretos que, segundo dados do Banco Central (BC), somavam em junho, até ontem, entrada de apenas US$300 milhões. A expectativa é que o fluxo de recursos destinados ao setor produtivo encerre o período em US$500 milhões, uma queda de 68% e o equivalente a menos de um terço da cifra apurada em maio (US$1,576 bilhão).

Por outro lado, a mesma volatilidade produziu no período efeito positivo sobre as remessas de lucros e dividendos feitas pelas empresas, que somavam US$427 milhões. O número revela que houve queda em relação a maio, quando os envios somaram US$2,003 bilhões, maior nível deste ano. Na avaliação do chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o cenário de estresse deve diminuir no próximo mês.

¿ Não esperamos que esse quadro de alta volatilidade permaneça por muito tempo. A partir de algum momento de julho, a situação já deve estar se normalizando ¿ disse Lopes, reafirmando a projeção de fechar o ano com US$18 bilhões em investimentos estrangeiros.

Saldo das transações correntes deve ficar positivo

Diante disso, o BC projeta que o saldo de transações correntes ¿ a movimentação de mercadorias e serviços do país com o exterior, sem contar o investimento direto ¿ ficará positivo em US$1,7 bilhão em junho, menos remessas de lucros. Mas em maio o saldo fechou positivo em US$475 milhões, abaixo da expectativa do BC, de US$600 milhões para o período, e somando no ano US$2,506 bilhões. O BC acabou revisando para baixo a projeção de transações correntes para o ano, de US$8,5 bilhões para US$8,1 bilhões, ao mesmo tempo em que puxou de US$13 bilhões para US$14,2 bilhões a de remessas.

¿ Há mais remessas porque a rentabilidade das empresas está melhor, além do câmbio mais favorável ¿ disse Lopes.

A balança comercial continuou influenciando positivamente as contas correntes em maio, com superávit de US$3,027 bilhões. A dívida externa do país, segundo o BC, estava em US$160,696 bilhões no mês passado, mantendo o ritmo de queda dos últimos tempos. Em março, ela estava em US$166,652 bilhões.