Título: BRASILEIROS FICAM RETIDOS EM NY
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: O Globo, 23/06/2006, Economia, p. 23
Empresas internacionais suspendem endosso a bilhetes da Varig
NOVA YORK. O clima ficou tenso ontem de manhã no aeroporto John Fitzgerald Kennedy (JFK), em Nova York. As empresas aéreas internacionais pararam de endossar os bilhetes da Varig, os funcionários da companhia brasileira não sabiam dar informações, os telefones da empresa não atendiam. Alguns passageiros já estavam há três dias esperando a hora de embarcar para o Brasil e só conseguiam a promessa de que receberiam um endosso para voar pela TAM, mas sabiam que poucos seriam acomodados no vôo já lotado. Irritados e desamparados, reclamavam em voz alta, ameaçavam a Varig com processo, praguejavam e se maldiziam por terem acreditado que a empresa brasileira sairia da crise.
¿ Deixaram-nos ao deus-dará ¿ disse Guilherme Rossi, que esperava há dois dias para voltar ao Brasil.
¿ A Varig não paga hotel nem despesas, vou comprar passagens de outras companhia, mas chegando lá entro com um processo ¿ ameaçava Milton Duarte.
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Varig só não precisa pagar as despesas de quem comprou bilhete fora do Brasil.
A Varig conseguiu uma solução de emergência: alterou a rota do vôo Miami- São Paulo e fez escala em Nova York para embarcar 120 passageiros. Cerca de 60 pessoas já estavam na fila por volta da hora do almoço, esperando o check-in previsto para começar exatamente na hora do início do jogo entre Brasil e Japão. De camisa verde-amarela, com bebês no colo, jovens e não tão jovens esperavam por um lugar no vôo extra que deveria decolar às 22 horas.
No fim da tarde, cem pessoas estavam na fila do check-in, mais conformadas e esperançosas. A Varig informou que, a partir de hoje, terá um vôo diário saindo dos EUA, decolando alternadamente de Nova York e Miami. Uma equipe da Anac deve viajar para Manhattan para fiscalizar as operações da Varig. Ontem, Evaldo Freire, vice-cônsul em Nova York, passou o dia ajudando brasileiros no aeroporto.
Na noite de segunda-feira, chegou a haver um início de tumulto, quando a United e a American recusaram-se a embarcar os passageiros da Varig. Alguns foram colocados em vôos para Miami e, de lá, embarcariam para São Paulo, mas acabaram voltando a Nova York na escala de emergência decidida ontem à tarde pela Varig. A TAM atrasou uma hora sua decolagem e lotou o avião com os sem-vôo da Varig. Já a JAL vendia passagens para o Brasil bem baratinho: US$380.
O consulado do Brasil está auxiliando os turistas e tem dois telefones para atendimento: 917-777-76-72 e 917-777-76-52. Os diplomatas estão se revezando no aeroporto para garantir que os brasileiros sem vôo sejam bem tratados, telefonam para os parentes para dar notícias sobre os que não embarcaram, além de pesquisarem hotéis mais baratos da cidade com quartos disponíveis.
VARIGLOG QUER COMPRAR A VARIG, na página 24