Título: KIRCHNER DECLARA APOIO À REELEIÇÃO
Autor: Cristiane Jungblut
Fonte: O Globo, 27/06/2006, O País, p. 4

Chanceler venezuelano também apóia petista em entrevista na TV

BUENOS AIRES e CARACAS. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, manifestou ontem publicamente seu apoio à reeleição do presidente Lula. Após receber o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que esteve em Buenos Aires para assinar o acordo automotivo entre Brasil e Argentina, Kirchner elogiou Lula e declarou-se favorável à candidatura do petista:

- Não tenho dúvida de que isso (a integração com o Brasil) vai se consolidar com a Argentina no segundo mandato de Lula, que é o que a maioria dos argentinos espera - disse o presidente argentino, que durante a campanha eleitoral argentina de 2003 foi recebido por Lula em Brasília e não esqueceu o gesto.

Lula nunca escondeu suas divergências com o ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-1999) e, na campanha de 2003, fez questão de reunir-se com Kirchner, na época um candidato pouco conhecido no exterior.

De acordo com pesquisa realizada pela empresa de consultoria Graciela Romer e Associados, 33% dos argentinos gostariam de ver a reeleição do presidente brasileiro, 50% disseram não ter uma opinião sobre o assunto e apenas 17% defenderam uma mudança de governo no Brasil. Perguntados sobre que presidente da região é visto como o melhor aliado de Kirchner, 36% dos entrevistados optaram por Lula, 28% pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e 6% pela presidente chilena, Michelle Bachelet.

Lula também obteve apoio declarado do chanceler venezuelano Ali Rodriguez, em entrevista ontem à TV estatal venezuelana VTV, segundo a agência de notícias AFP.

- É um fato positivo para o Brasil e para todo o continente, por suas políticas, que o presidente Lula continue - disse Rodriguez.

O jornal britânico "Independent", na edição de ontem, publicou reportagem sobre a candidatura de Lula, afirmando que o petista superou o escândalo que envolveu o PT e ameaçou seu governo. "Uma combinação de crescimento econômico contínuo, o escândalo seguindo seu curso e a divisão entre os rivais pôs Lula numa posição progressivamente mais forte".