Título: PAÍS APREENDE MAIS DROGAS, DIZ ONU
Autor: Dimmi Amora
Fonte: O Globo, 27/06/2006, O País, p. 13
Relatório aponta tendência de redução do consumo no Brasil e no mundo
O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc) divulgou seu relatório anual ontem informando que, seguindo uma tendência mundial, o consumo de drogas ilegais, principalmente maconha e cocaína, diminuiu no Brasil. O combate ao tráfico também foi mais eficiente no país. O volume de apreensão de cocaína quase dobrou, passando de oito toneladas, em 2004, para 15,8 toneladas, no ano passado.
Usuários de drogas são 200 milhões no mundo
Segundo a Unodc, há no mundo cerca de 200 milhões de usuários de drogas, aproximadamente 5% da população de 15 a 64 anos. Pesquisas realizadas em escolas do Brasil indicam que o consumo da maconha entre jovens de 10 a 18 anos aumentou de 3,4%, em 1989, para 7,6%, em 1997. As mostras de 2004 revelaram que esse percentual baixou para 6,4%. Em relação ao uso da cocaína, segundo o relatório, o consumo se estabilizou nos níveis de 1997.
O relatório, porém, afirma que o país é o maior consumidor de opiáceos (sedativos, alguns deles remédios legais) da América do Sul. Em relação a drogas sintéticas, como o ecstasy, o Brasil não tem dados disponíveis, mas a quantidade de apreensão é considerada alta: 81 mil unidades em 2004.
O Brasil figura entre os dez países que mais fizeram apreensões de drogas. Segundo a Unodc, em 2004 o mercado mundial de cocaína produziu 937 toneladas, das quais 353 foram apreendidas. O país participou com oito toneladas, sendo o 10º país em número de apreensões. No ano seguinte, o volume de apreensões no Brasil dobrou. De acordo com o relatório, 70% da droga que passa pelo país são provenientes da Colômbia. O Brasil seria um grande exportador para a Europa, e a África passou a fazer parte da rota.
Quanto à maconha, o Brasil foi em 2004 o 6º que mais apreendeu (155 mil toneladas das 6,1 milhões apreendidas). O relatório aponta que a área plantada no país pode estar crescendo e que 85% da maconha produzida no Paraguai viriam para o país.
Segundo os pesquisadores, o volume apreendido é desproporcional ao número de consumidores declarados da droga no país (1% da população de 12 a 64 anos ou 1,2 milhão de pessoas). Segundo Cintia Freitas, coordenadora de projetos de prevenção às drogas da Unodc no Rio, isso pode significar que as pesquisas sobre número de usuários está subestimada ou o Brasil está se tornando rota do tráfico de maconha.
INCLUI QUADRO: OS NÚMEROS DO ESTUDO